08 de julho de 2026
Ser

Sem obrigação, homens cozinham bem

Luly Zonta
| Tempo de leitura: 5 min

Até que enfim, alguém reconhece: os homens, muitas vezes, cozinham bem e até melhor que as mulheres por não ter, teoricamente, a obrigação de preparar almoço, jantar, café da manhã e lanche das crianças todo santo dia.

“Quem faz por obrigação acaba perdendo o gosto. O homem geralmente cozinha para a família num sábado ou domingo, reúne os amigos e por isso, pode até cozinhar melhor. Eu não sou cozinheiro. Gosto de fazer comida. Mas jamais conseguiria tocar um restaurante, jamais seria um chefe de cozinha”, se define o jornalista carioca Osmar Chor, 41 anos, editor regional da TV Tem há três anos e meio.

Ele se recorda que a mãe não cozinhava tão bem, mas fazia uma feijoada que trazia o quarteirão inteiro para almoçar em sua casa.

Mesmo assim, Chor é um exímio cozinheiro e há cinco anos lançou um guia de sobrevivência na cozinha para solteiros e descasados: o livro “De Homem para Homem” (Editora Vozes), em parceria com o também jornalista Rafael Casé, que trabalhava com ele no Rio de Janeiro.

A obra, um be-a-bá do arroz com feijão até uma cozinha mais sofisticada, traz, numa linguagem bem-humorada e didática, um manual para leigos de boa vontade se transformarem em pouco tempo em cozinheiros talentosos, dependendo, é claro, da aplicação do aprendiz.

Entretanto, o autor revela que foi um jovem chato, que não sabia cozinhar e exigia tudo quentinho e à mesa. Sua relação com a gastronomia começou quando ele resolveu preparar uma “Tripa Lombeira”, uma feijoada branca, que o padrasto da mulher do irmão costumava fazer no dia do aniversário dele.

“É um prato maravilhoso, que as pessoas comiam de passar mal. Eu ficava alucinado, esperando o ano seguinte chegar. Um dia eu falei: ‘Poxa! Eu tenho que aprender a fazer isto! Eu nunca gostei de ficar dependente dos outros. Vou aprender a fazer isso daí, não deve ser muito difícil.’ Eu fiz, tudo errado, mas ficou bom”, relata o jornalista, que na época ainda estava na faculdade.

Os erros de Chor originaram da sua inexperiência. Ele não observava o tempo de cozimento dos ingredientes. Colocava legumes para refogar com as carnes. “Tecnicamente estava tudo errado, mas o sabor era passável.” Ele ficou empolgado com a façanha e começou a fazer outras coisas. Foi pensando nos pratos que gostava e ía para o fogão fazer os testes.

Macarrão e cia

Hoje, o jornalista cozinha por prazer e assina uma coluna de gastronomia no portal da emissora. Tem predileção por massas, mas confessa passar por fases: a da comida mineira, oriental, etc.

Chor é casado com Nádia, que cozinha muito bem, se tornou expert em pizzas e até tem um serviço diferenciado para festas. Entre os dois há uma convenção de que é ele quem cozinha aos domingos, com o aval dos filhos, Tomás, 14 anos, Lídia, 11 anos, e Rafaela, 8 anos, que amam o Macarrão com o Meu Molho, criado pelo pai.

“Teve uma época em que tinha que prepará-lo todo domingo. As crianças deixavam de passear, de passar o dia no clube por causa do macarrão e eu queria comer fora”, revela o jornalista, que adora fazer supermercado e conhecer restaurantes de toda e qualquer espécie.

“Eu gosto de ir ao mercado, à feira, descobrir coisas novas, pensar na minha comida. Eu curto essa relação com a culinária”.

Dessa maneira, apesar da timidez e de até se taxar de anti-social algumas vezes, Chor adora cozinhar para os amigos, mas em grupos de até dez pessoas para não se perder na receita e não ficar longe dos convidados.

Mas sem pudor algum, ele confessa que. É daqueles cozinheiros que belisca o tempo todo, vive caçando receitas, assistindo programas de culinária na tevê, troca receitas com amigos, chega a pedir o segredo do chef em restaurantes e possui três panelas de estimação: uma frigideira francesa, uma caçarola de pedra e uma panela japonesa com fechamento hermético.

De tão apaixonado pelos utensílios, dos quais morre de ciúme e não deixa ninguém usar, chega a brincar que vai levar as panelas para o túmulo.

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Receitas

• "Macarrão à Marinaia", por Osmar Chor.

“Bote para fritar 300g de bacon em cubinhos. Quando ele estiver dourado, jogue seis dentes de alho amassados. Coloque meia lingüiça calabresa defumada em rodelas grossas cortadas na diagonal e deixe fritar. Acrescente duas cebolas grandes cortadas em rodelas grossas, uma caixinha de purê de tomate (não é extrato, não), quatro tomates picados, sem sementes para não ficar amargo. Coloque um pouco de açúcar, sal, duas colheres (sopa) de molho inglês. Aí vem o truque: uma pitada de pimenta calabresa seca, com parcimônia. Baixe o fogo e deixe cozinhar, quando estiver pronto. Jogue em cima de uma massa. Eu gosto de talharim.”

• "Macarrão a Bauru", por Nonô Luongo.

“O meu segredo, eu não conto, mas não tem segredo. Num pouco (pouco mesmo) de azeite em uma frigideira bem grande, doure o alho e junte legumes frescos em pedaços: tomate, cenoura e pimentão. Junte sal e pimenta a gosto. Aqui, a gente gosta de pimenta. Deixe refogar e quando estiver quase chegando junte acelga rasgada. Pode até ser outra verdura fresca. Cozinhe um pacote de fuzili al dente e depois vá adicionando ao refogado com uma colher de pau. Acrescente folhas de majericão fresco. Vire a frigideirada numa travessa e polvilhe com um pacotinho de queijo ralado.”

• "Frango com pequi e galinhada", por Paulo Paiakan.

“Pegue dois frangos, de mais ou menos dois quilos picados e tempere com sal a gosto, dois limões, 50g de gengibre ralado, seis dentes de alho grandes e também ralados. Junte uma colher (de chá) de louro em pó, outra de pimenta branca, quatro bagos de pequi. Misture tudo e deixe por uma hora e meia para tomar gosto. Numa panela grande, junte cinco colheres (sopa) de óleo e uma colher (sopa) cheia de açúcar. Quando esquentar o açúcar vai começar a queimar. Jogue o frango e refogue até ficar dourado. Junte um copo d’água e deixe cozinhar. Sirva com uma galinhada feita com uma ave bem temperada frita e arroz. O segredo é fritar a galinha, reservar e retirar o excesso da gordura que ficou na panela, antes de refogar o arroz e devolver a carne para cozinhar junto.”