09 de julho de 2026
Geral

População reclama da falta de lixeiras pelas ruas da cidade

Da Redação
| Tempo de leitura: 4 min

A ausência de lixeiras em Bauru é um problema que persiste há anos, sem que seja possível apontar os responsáveis. Enquanto isso, a população continua incomodada com o lixo nas vias públicas, ao mesmo tempo em que não perde o hábito de jogar resíduos diversos na rua.

O Jornal da Cidade vem recebendo diversas reclamações de moradores sobre locais de grande movimento onde não há lixeiras, e conseqüentemente, há muito lixo no chão.

É o caso da cabeleireira Sandra Alves Casanova, que trabalha em um salão de beleza na rua Machado de Assis. Ela conta que há um ponto de ônibus de grande movimento próximo ao salão onde se formam grandes filas nos horários de maior movimento. “Não temos uma lixeira no ponto de ônibus. Na verdade, não temos lixeiras a perder de vista por aqui”, reclama.

Sandra diz que muitas pessoas compram lanches, doces, salgados e bebidas em uma padaria, também próxima ao ponto, enquanto aguardam o ônibus. “As pessoas comem e jogam todos os guardanapos no chão, as embalagens, as latinhas. Talvez, se tivesse uma lixeira, a sujeira seria menor”, constata.

Na opinião do varredor de rua Ednilson Arcanjo, funcionário da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb), são dois os problemas que deixam as ruas sujas: a falta de lixeiras e a falta de educação da população. “Mesmo nos lugares onde há lixeiras, como no Calçadão, as pessoas jogam o lixo no chão. O Calçadão é o único lugar onde há lixeiras, e a gente ainda precisa varrer duas ou três vezes por dia. É só recolher o lixo e já está tudo sujo de novo”, diz.

Arcanjo relata que recolhe normalmente papéis, bitucas de cigarro, copos plásticos, latas de alumínio, garrafas, embalagens de alimentos e panfletos, mas já encontrou até camisinhas usadas jogadas na rua.

A professora Odete Mendes também aponta o problema da falta de lixeiras em pontos de ônibus. “É o lugar onde as pessoas ficam paradas. Se estão comendo ou bebendo refrigerante, jogam na calçada mesmo, antes de subir no ônibus, porque sabem que dentro dos veículos também não há um cesto de lixo”, aponta.

O secretário municipal do Meio Ambiente, Luiz Pires, lembra que já foram colocadas lixeiras em diversos pontos da cidade e todas foram depredadas. “Tínhamos lixeiras de fibra de vidro, depois instalaram aquelas de concreto. Em alguns lugares, existiam lixeiras de metal, mas a depredação é muito grande. Todas foram destruídas”, afirma.

Pires diz que o processo de licitação para compra de novas lixeiras para Bauru vem se arrastando há anos, e que a atual responsável é a Emdurb. “A licitação está na mão da Emdurb. O projeto inicial era de instalar cerca de 1.000 lixeiras na região central e áreas de movimento da cidade. Elas seriam pagas por empresas, que explorariam as lixeiras com propaganda”, comenta o secretário.

O presidente da Emdurb, Roberto Alves Bil Barbosa, afirma que a Secretaria Municipal de Planejamento (Seplan) seria a responsável pelas lixeiras. “Eu fui buscar o processo na prefeitura. É um processo da Seplan de 1999, e você pode ver como esse assunto vem se arrastando faz tempo.”

De acordo com Bil, este processo pede 1.754 lixeiras, no mínimo, e 3.075 no máximo, para serem instaladas em Bauru em pontos de ônibus, nas ruas centrais e áreas de grande movimento, como as avenidas Getúlio Vargas e Nações Unidas, o parque Vitória Régia e a praça da Paz.

“A Emdurb já tem pré-cotações dos preços de diversos modelos e marcas de lixeiras, e até o final de agosto, devemos apresentar as cotações para a prefeitura. A compra das lixeiras não é atividade da Emdurb”, diz o presidente da empresa.

A Seplan aguarda o posicionamento da Emdurb para tomar uma decisão. O modelo de lixeira escolhido no processo custa atualmente cerca de R$ 130,00 cada. Bil conta que a prefeitura poderá prosseguir de duas formas, efetuando ela própria a compra das lixeiras, ou permitindo o ingresso da iniciativa privada, com a compra efetuada por empresas que explorarão os cestos com publicidade.

“A atividade da Emdurb será coletar o lixo que a população jogar nas lixeiras. Mas ainda penso que o lixo nas ruas é mais um problema de educação do povo do que da falta de lixeiras”, conclui.