08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Venerável Beda


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Ousando na tentativa de transmitir a tríade que o venerável Beda na sua sapiência e erudição proclamou, tive a oportunidade de ler recentemente texto do filósofo Mário Sérgio Cortella, professor da PUC-SP, cujo título “Sábia Consciência”, da sua metade para o final diz: “Vários governantes assumem posturas petulantes ao recusarem a existência de concepções divergentes, variados líderes religiosos impedem o afloramento da quebra da alienação. Está rareando, entre os altamente escolarizados e economicamente beneficiados, a imprescindível modéstia sincera, aquela que nos permite enxergar limites nos nossos saberes e poderes. Por isso é imprescindível revisitar um monge beneditino que, há aproximadamente 1.300 anos, viveu na Inglaterra: Beda, que, além de ter sido santificado pela igreja do período, era chamado também de o Venerável.

Tamanha foi a erudição e a honestidade narrativa que sustentou ao escrever uma trajetória de seu país - desde a ocupação romana até aqueles dias - que sua obra tornou-se referência para os estudos históricos medievais. Um homem como ele, pleno de conhecimentos e admirado pela imensa capacidade intelectual, conseguiu não ser vítima da presunção que acomete a muitos e muitas nessa condição ou, até, longe dela.

Beda nos legou (com validade indeterminada) uma prescrição em forma de advertência, na qual diz que há três caminhos para a infelicidade ou fracasso: 1) não ensinar o que sabe; 2) não praticar o que ensina; 3) não perguntar o que se ignora.

Uma tríade assim arremessa a idéia de sucesso para muito além do que muitos acreditam nos nossos modernos tempos; poderíamos dizer - retomando pelo positivo as três advertências de Beda - que o sucesso está na generosidade mental (ensinar o que sabe), na honestidade moral (praticar o que ensina) e na humildade inteligente (perguntar o que ignora). Nesse sentido, o ensinamento do monge está impregnado do que entendemos ser a sabedoria ou, mais ainda, a sapiência.” Finaliza o articulista: “que sabemos nós?”

Seriam os escândalos que os homens públicos do Legislativo e do Executivo fazem brotar, em nossa bombardeada província, oriundos do cumprimento dos três caminhos para a infelicidade ou fracasso?

Para a reflexão desses mesmos homens públicos que simulam parecer sábios.

Nicanor Amaro Silva - RG 7.725.024