08 de julho de 2026
Cultura

Jóia rara

Gustavo Cândido
| Tempo de leitura: 3 min

As expressões “novo talento da MPB” ou “revelação da MPB” são sempre usadas pelas gravadoras quando lançam um artista do gênero mais cultuado e seleto do País. Nem sempre a propaganda corresponde à realidade. No caso de Vanessa da Mata as expressões podem ser usadas sem medo. A cantora mato-grossense que se apresenta hoje, a partir das 21h30 na área de convivência do Sesc é realmente uma boa nova.

Vanessa acaba de lançar o primeiro CD - que tem o seu nome como título - pela Epic (Sony). O repertório do disco que é a base do show de hoje à noite é daqueles que provocam uma paixão à primeira audição.

Lá estão, na voz limpa e delicada de Vanessa, as deliciosas “Não Me Deixe Só” e “Delírio”, além de “Onde Ir”, que fez parte da trilha-sonora da novela “Esperança”, “Viagem”, gravada por Daniela Mercury; e “A Força Que Nunca Seca”, registrada por Maria Bethânia no CD do mesmo nome e indicada ao Grammy Latino de Melhor Música Brasileira no ano passado.

Como essas músicas ficaram conhecidas se o CD está sendo lançado agora? Antes de entrar no estúdio para gravar o disco que apresenta hoje, a cantora havia produzido dois CDs demos - um produzido pelo compositor Chico César e outro pelo maestro Jacques Morelenbaum, fiel colaborador de Tom Jobim e Caetano Veloso em diversos projetos - que rodaram em São Paulo e tornaram Vanessa a “melhor nova cantora sem ter lançado um disco” dos últimos anos.

Felizmente, agora vem o CD oficial, que traz influências de diversos ritmos como o mais puro samba, o samba-rock, o blues e o suingue. Nada mais natural para a uma garota que cresceu ouvindo, literalmente, de tudo.

“Ouvia Milton Nascimento, Amado Batista, Tonico e Tinoco, Pinduca, que eu acho ótimo, muita música brega gaúcha, música brega italiana”, confessa, em entrevista por telefone ao JC. De tudo o que ouviu guardou com mais carinho as vozes de Milton Nascimento e Maria Bethânia, que mais tarde a gravou. “Parece uma promessa realizada, um sonho. Até hoje quando penso que ela gravou uma música minha fico impressionada”, diz a cantora de 26 anos que também compõe.

Ao seu lado, no disco, além de César e Morelenbaum, estão outras feras como Liminha, Dadi e Luiz Brasil (que a acompanha hoje no Sesc com mais quatro músicos). A recepção do trabalho tem sido muito boa, ela conta. “A gente fez recentemente um show lotado em Belo Horizonte e para uma pessoa que quase não aparece é raro”. O mesmo aconteceu em Recife, em São Paulo e no Rio.

No show, além do repertório do disco a cantora ainda canta composições de Chico Buarque, Roberto e Erasmo Carlos e parcerias suas com Liminha e Chico César.

Alguns acham que Vanessa canta como Marisa Monte (eu lembrei em alguns momentos da voz da jovem Gal ao ouvir seu disco), mas é só a velha mania de buscar rótulos e para falar a verdade ela não precisa de nenhum.

Já surge como uma bela cantora de personalidade própria, que para poder cantar, menina, então com 14 anos, fugiu de casa e mentiu para os pais dizendo que iria estudar medicina em Uberlândia. Raramente a rebeldia adolescente teve resultados tão positivos. Vanessa da Mata promete muito, é só conferir.

• Serviço

Show com Vanessa da Mata. Hoje, às 21h30, na área de convivência do Sesc. Avenida Aureliano Cardia, 6-71. Informações: (14) 235-1750.