08 de julho de 2026
Bairros

Deficiente busca qualidade de vida

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 4 min

A Semana de Prevenção às Deficiências, que está sendo realizada pela 11.ª vez em Bauru e que nesta edição terá uma feira de reabilitação, mostra que o deficiente obteve avanços nos últimos anos, como a cota de vagas no mercado de trabalho, mas ainda busca melhor qualidade de vida. Mais de 20 empresas da cidade e outras regiões do País vão participar da feira para apresentar recentes produtos e serviços voltados para as pessoas portadoras de deficiência.

“Os deficientes são um filão de mercado para a indústria, que nos últimos anos vem desenvolvendo mais produtos para atender as necessidades especiais”, afirma Francisco Takao Kajino, que depende de cadeiras de rodas para se locomover e é coordenador-geral do Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa Portadora de Deficiência (Comude), órgão que coordena a Semana de Prevenção às Deficiências. O evento foi aberto ontem e segue até o dia 28.

Um dos novos produtos é uma cadeira de rodas motorizada de última geração, que através de um sistema de alavanca e joelheiras coloca o deficiente em pé. “Com essa cadeira, o deficiente pode, sozinho, ficar em pé em um balcão para tomar um café, por exemplo”, explica Elmo Benedito Palomi, proprietário de uma loja de produtos ortopédicos que terá estande na feira.

Outro produto que estará na feira e que ajuda no dia-a-dia de deficientes e idosos é uma barra de apoio móvel para ser acoplada ao vaso sanitário. “É uma barra móvel que o próprio deficiente pode fixar no vaso sanitário. Com a barra, ele não precisa de ajuda para ir ao banheiro. A vantagem é que ela pode facilmente ser removida”, diz Martha Moreira, proprietária de uma loja de produtos hospitalares que também estará presente na feira.

Em Bauru, Takao calcula que existam de 5 mil a 7 mil deficientes - o último censo, feito há dez anos, apontou 3.973. Apesar dos preços de muitos itens ainda serem considerados altos, ele frisa que graças à reserva de cotas de vagas muitos deficientes estão trabalhando e que as famílias costumam cotizar-se para proporcionar melhor qualidade de vida.

A moderna cadeira de rodas que possibilita ao deficiente ficar em pé custa R$ 8,3 mil, mas existem modelos também motorizados mais baratos. Uma cadeira de rodas mecânica custa em torno de R$ 700,00. Já a barra de apoio móvel sai mais em conta: de R$ 60,00 a R$ 80,00, segundo os expositores.

A Feira de Reabilitação será realizada nos dias 29 e 30, no Centro de Convenções Mixage, na Praça Portugal. “Também vamos levar para o estande massageadores e aparelhos para fisioterapia”, diz Martha. Até a feira, cerca de 30 entidades que trabalham direta ou indiretamente com pessoas deficientes, órgãos municipais e estaduais e a sociedade civil vão participar de discussões, palestras e atividades artísticas que abordam aspectos sociais e políticos ligados à vida do deficiente e à prevenção das deficiências.

Takao frisa que existem deficiências que podem ser prevenidas. “Orientamos quem está na idade reprodutiva a fazer exames, para evitar filhos com deficiência, cuidado nos mergulhos, que podem resultar em acidentes graves. Pedimos às mulheres atenção com a rubéola (a doença causa deformidade do feto) e à população em geral que trate o diabetes pare evitar a amputação de membros”, diz.

Para Takao, os portadores de deficiência conseguiram avanços significativos nos últimos anos. “A inclusão escolar, poder estudar numa classe comum, é uma delas. A reserva de cotas para deficientes, outra. Os projetos dos novos prédios públicos e comerciais só são aprovados se forem adaptados aos deficientes. Desde o início do mês, temos duas vans que transportam os cadeirantes gratuitamente. O Estado de São Paulo tem mais de 600 municípios e só 20 e pouco têm conselho da pessoa deficiente e Bauru é um deles”, enumera.

Os principais desafios agora, de acordo com Takao, são o rebaixamento de guias para permitir acesso ao cadeirante, obter mais vagas em entidades para deficientes mentais adultos e o fim do preconceito. “Bauru tem cerca de 10 mil esquinas cujas guias precisam ser rebaixadas. Temos uma ação civil pública tramitando no Tribunal de Justiça pedindo o rebaixamento dessas guias”, frisa.

____________________

Preconceito

Para Catarina Carvalho, que tem uma filha de 23 anos portadora de deficiência mental e preside uma entidade que atende deficientes, a Apiece, nos últimos seis anos houve uma redução do preconceito. “Hoje, em qualquer lugar que eu vá com minha filha, a Catinha, seja a um supermercado ou à igreja, sempre tem alguém para dar atenção a ela, preocupado em me ajudar”, diz.

A população, na opinião de Catarina, está aprendendo a conviver com o diferente e a respeitá-lo. “Alguns mais, outros menos, todos estão neste caminho. Temos, por exemplo, leis que priorizam o atendimento dos deficientes nos hospitais e nos mercados, que inclusive é de minha autoria. Isso não ocorria há dez anos atrás”, lembra.

Emocionada ao falar de todas as cirurgias que sua filha foi submetida, Catarina conta que o deficiente pode ter uma vida muito próxima da normal. “Minha filha tem necessidades especiais, mas tenho certeza de que é muito feliz. Agora, quando estou falando com você ao telefone, ela está jogando videogame. Ela sabe que agora estou trabalhando e depois dou atenção a ela. É uma menina que faz o mesmo que as outras, só que no tempo dela”, completa.

____________________

Leia mais sobre a Semana de Prevenção às Deficiências

• Entidades participam do evento