Lavar a calçada e o carro com o uso contínuo de água poderá custar caro para quem mantém esse hábito. Tramita na Câmara Municipal de Bauru projeto de lei de autoria dos vereadores Rodrigo Agostinho (PMDB) e Zito Garcia (PPS) que pune com multa os consumidores que desperdiçarem água em período de racionamento. Pela proposta, o abuso vai custar um acréscimo de 25% do valor consumido pelo munícipe no mês.
O enquadramento, porém, só vai valer com a decretação pelo prefeito de Estado de Alerta de Desabastecimento. Confirmada a situação, fiscais do Departamento de Água e Esgoto (DAE) vão ter o poder de advertir, num primeiro momento, o usuário que for flagrado lavando a calçada e o carro com uso contínuo de água.
A multa também poderá ser aplicada para quem molhar ruas de maneira continuada e manter vazamentos de água em torneiras, canos, conexões, caixas d’água e mangueiras.
Caberá à administração municipal divulgar amplamente a decretação do Estado de Alerta através do Diário Oficial do Município (DOM), da imprensa e de notas nas contas de água expedidas aos consumidores.
A proposta também determina à administração municipal o incentivo a reutilização da água proveniente de estações de tratamento de esgoto para fins não domiciliares.
Controle
Na avaliação do vereador Rodrigo Agostinho, as campanhas educativas não atingem toda a população. “Por isso, algumas medidas de controle são necessárias. A importância dessa questão tem feito com que vários municípios do Brasil sancionem leis visando diminuir o desperdício da água, no intuito de preservá-la e garantir o abastecimento para futuras gerações”, explica.
O peemedebista avalia que, por causa da ilusão de ser infinita na natureza, a água é um dos recursos naturais mais desperdiçados pelo homem.
“No Brasil, o desperdício de água chega a 70%. Nas residências, temos até 78% de seu consumo sendo gasto no banheiro. Um banho demorado chega a consumir 180 litros de água. Escovar os dentes com a torneira aberta consome em média 25 litros; um aperto de descarga, 20 litros”, conta.
Para o parlamentar, é comum observar nas ruas as pessoas limparem as calçadas munidas de esguichos. “Usam a água de forma desordenada, quando poderiam utilizar vassouras para remover a sujeira. A lavagem de carros e a falta de manutenção de torneiras, canos, conexões etc., propiciando vazamentos, são outras fontes de desperdício.”
Agostino lembra ainda que a água que chega às residências é tratada com cloro e flúor, que garante a sua qualidade e auxiliam na proteção dos dentes. “Além disso, são grandes os gastos do Poder Público com seu tratamento e bombeamento. Maior ainda é o impacto ambiental de estar retirando uma grande quantidade de água limpa dos recursos hídricos e devolvê-la suja na forma de esgotos”, expõe.
Ele ressalta que o rio Batalha - responsável pelo fornecimento de aproximadamente 50% da água consumida no município - está cada vez mais assoreado devido a retirada de sua mata ciliar. “Seu leito diminui a olhos vistos, prejudicando a captação de suas águas e, conseqüentemente, o abastecimento da cidade. Ademais, recebe 10% dos esgotos produzidos em Bauru.”
A presidente do DAE, engenheira Nilcéia de Fátima Paes Lourenço, informou ontem que ainda não recebeu oficialmente o projeto de lei proposto por Agostinho e Zito. Ela diz, porém, que pretende avaliá-lo para depois se manifestar.
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Fala Povo
Multar as pessoas que desperdiçam água é a solução para concientizá-las do problema?
“Acho que vai da consciência de cada pessoa saber usar a água. Eu sou muito econômica. No caso da multa, acho que vai afetar os pobres.” Lúcia da Silva, doméstica
“Eu acho vai ser uma boa. Para o brasileiro, é preciso pesar no bolso. Em casa fico de olho em vazamentos e mantenho torneiras e válvulas em dia.” José Antonio Ortiz Jr., comerciante
“É uma maneira de fazer a pessoa pensar no desperdício. Daqui algum tempo, se não houver economia, corremos o risco de ficarmos sem água.” Kelly Cristina de Souza Franco, estagiária
“O projeto tem fundamento. A água é um recurso natural renovável, mas não está sendo renovada devido ao mau uso. É preciso conscientizar mais.” Fernando José Mendes, engenheiro e comerciante