Marília – Com o objetivo de fortalecer a atuação dos catadores de materiais recicláveis, foi criado há cerca de dois meses um comitê regional da categoria, que atende as cidades de Marília, Paraguaçu Paulista, Lupércia, Assis, Rancharia, Santa Cruz do Rio Pardo e Platina.
A primeira reunião do grupo ocorreu no último sábado, na Faculdade de Medicina de Marília (Famema), instituição que apoia a iniciativa, ao lado da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Assis. Participaram do encontro representantes da categoria, entidades parceiras e poder público.
Segundo o professor da Famema Paulo Marcondes Carvalho Júnior, representante da faculdade na iniciativa, o comitê deve implementar ações para organizar o movimento de catadores na região.
No encontro de Marília, foram definidos os primeiros passos do grupo, entre eles a necessidade da realização de um levantamento sobre o perfil desses trabalhadores e a situação atual da coleta e venda do material reciclável em cada município que integra o comitê.
A partir desse levantamento, a intenção, segundo Carvalho Júnior, é apresentar uma carta aos prefeitos da região, solicitando o apoio do poder público para a categoria. Outra preocuparção é buscar parcerias que fortaleçam o trabalho das cooperativas.
Além disso, segundo o professor, durante a reunião foi iniciada a discussão de propostas com o objetivo de transformar o catador de material reciclável em um agente de preservação ambiental.
“A reciclagem, além de ser uma questão de inclusão social é também uma questão importante em relação ao meio ambiente. Quanto mais lixo eu reciclar melhor”, afirma.
Um outro ponto definido pelo grupo foi a necessidade de criação de um site na Internet, que disponibilize informações para as diferentes cooperativas da região, em relação os valores de venda do material reciclável em cada cidade, a quantidade comercializada, e os projetos e investimentos realizados no setor.
Com o apoio da Famema, o comitê deve ainda viabilizar cursos para os trabalhadores, entre eles sobre como trabalhar em cooperativas o material reciclável.
As próximas reuniões do grupo estão agendadas para 11 de outubro, em Paraguaçu Paulista, e 6 de dezembro, em Rancharia. A Famema, segundo o professor, arcará com as despesas para levar os representantes da categoria em Marília aos encontros.
Informal
Em Marília, segundo Carvalho Júnior, a maior parte dos catadores ainda trabalha desvinculado da única cooperativa da cidade, a Cotracil. Essa mesma realidade, segundo ele, pode ser percebida nas demais cidades da região.
O professor não soube informar o número total de trabalhadores do ramo que existem no município, entretanto afirmou que um dos objetivos do comitê é levantar esse dado. “Uma parte deles, cerca de 20 pessoas, estão reunidas nessa cooperativa que a gente (Famema) apoia”, afirma.
Segundo Carvalho Júnior, os trabalhadores desvinculados da cooperativa trabalham na informalidade e recebem, em geral, cerca de R$ 2,00 ao dia, sobrevivendo em condições de pobreza. “Eles ganham dinheiro e vão comprar comida para dar a família. É uma situação desesperadora”, afirma.
O material coletado é vendido a intermediários, que por sua vez o comercializa para as indústrias responsáveis pela reciclagem. “A indústria compra só em grande quantidade.Hoje, praticamente ninguém da região consegue ainda vender diretamente para a indústria.”
Segundo o professor, um dos objetivos do comitê é trazer esses trabalhadores informais para as cooperativas, fortalecendo a categoria e estabelecendo melhores condições de sobrevivência aos catadores, além de estabelecer negociações mais vantajosas do material reciclável.
“A estratégia é mostrar para eles que a cooperativa é uma saída de trabalho”, afirma.
Além disso, o comitê quer estudar caminhos de inserção social e valorização da categoria, que segundo o professor, ainda é bastante marginalizada pela sociedade.
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Cooperativas
Na cooperativa de Assis, os catadores de materiais recicláveis ganham cerca de um salário mínimo e meio por mês. “A cooperativa consegue juntar o material de várias pessoas e fazer uma negociação melhor”, afirma Carvalho Júnior.
Entretanto, mesmo entre as cooperativas existem diferenças. Algumas mais organizadas, como a de Assis, formada há dois anos, conseguem comercializar o material reciclável a um melhor preço no mercado.
“Em Lupércia, o quilo da garrafa pet é vendido por R$ 0,16 e em Assis a R$ 0,60. É uma diferença muito grande em termos de valor de venda. As mais organizadas conseguem preço melhor.”
Segundo o professor, a cooperativa de Assis é a que possui melhor estrutura, dentro das cidades que integram o comitê.