Tem galinha no porto! Era assim que os traficantes de escravos anunciavam em Ipojuca, município distante 60 quilômetros de Recife, a chegada dos escravos vindos da África para o trabalho braçal nos engenhos de açúcar.
Uma época trágica em que o único alívio para esses pobres homens que vinham contrabandeados em engradados de galinhas d’angola era pisar na areia macia e na água quente de uma das praias mais belas da pequena vila: Porto de Galinhas.
Hoje, no lugar dos sombrios navios negreiros que atravessavam o Oceano Atlântico, aportam no balneário lanchas, catamarãs e jangadas convidando os turistas a mergulhar em suas águas cristalinas.
As piscinas naturais de Porto ficam bem próximas da orla, com direito a passeio de jangada, mergulhos de snorkel e alimentação - hoje com ração apropriada - de peixinhos coloridos que fazem a alegria dos visitantes.
Tudo é muito organizado em Porto de Galinhas. Existe associação para tudo: dos jangadeiros, dos bugueiros, dos donos de pousadas, dos taxistas e dos comerciantes. Ótimo para o turista que no “check-in” do hotel já ficará sabendo quanto pagará pelos passeios de jangada, de buggy, ecológicos, de barco, pelos aluguéis de caiaque, máscara com respirador, nadadeiras, pranchas de surf, bodyboard, cadeiras, guarda-sóis, bóias, traslados de buggy, do ligeirinho (microônibus) e pelos ingressos nas casas de shows e discotecas.
As associações são responsáveis pelo belo trabalho de preservação ambiental que existe em Porto de Galinhas. Em todas as pousadas e casas comerciais há avisos aos turistas para colaborarem com a beleza do lugar: nada de jogar detritos na água das piscinas naturais e muito menos quebrar ou aceitar como presente ou compra, corais que são organismos vivos e não simplesmente pedras.
O trabalho é importantíssimo levando-se em conta o “boom” imobiliário que o lugar atravessa nos últimos anos. Embora construções pipoquem por todos os cantos, incluindo resorts luxuosos, todo cuidado é tomado para não agredir a natureza. Sem ela, Porto não existiria. A preocupação ecológica impera por toda parte - do Norte ao Sul, do Centro à periferia.
Isto pode ser constatado através de passeios de buggy (no Nordeste são chamados de bugres) que levam os turistas de praia à praia e ao Pontal de Maracaípe; nos passeios ecológicos e de barco até a Ilha de Santo Aleixo, a Calhetas, Praia dos Carneiros e Parque Natural Porto Verde ou mesmo pescando-se junto a uma típica colônia de pescadores.
Para os que adoram a natureza em seu estado primitivo, um passeio a cavalo por uma trilha ecológica que leva ao manguezal não pode ser descartado.
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