Um policial militar morto com dois tiros e sua mulher baleada no ombro, em outro cômodo da casa. Essa é a cena de um crime ocorrido na madrugada de ontem em Bauru e que até o início da noite ainda era misterioso tanto para a Polícia Civil quanto para a Polícia Militar devido aos detalhes do caso.
Antes de ser levada para o hospital, Matilde Pizinelli Ribeiro, 32 anos, disse que uma pessoa encapuzada invadiu a sua casa, a amarrou e a amordaçou, atirou no seu marido, o soldado Edvaldo Rozante Ribeiro, 34 anos, que estava em um dos três quartos da casa, e depois contra ela, enquanto os três filhos do casal dormiam.
Porém, a versão de Matilde, que ainda está internada, está sendo investigada porque a casa, que estava aberta, não foi arrombada e o molho de chaves do policial estava na porta, do lado de fora. Além disso, não havia sinais de que Rozante tentou lutar ou resistir. Ao contrário: a posição que ele estava na cama e do cobertor sobre seu corpo indicam que ele poderia estar dormindo.
Aparentemente, nada foi roubado, mas a arma usada pelo policial, um revólver calibre 32, da Polícia Militar, desapareceu. Até ontem, a polícia não sabia se a arma utilizada no crime foi ou não o revólver do policial. “Não descartamos nenhuma hipótese para esse crime - latrocínio, vingança, crime passional e até suicídio, pelo menos até recebermos os resultados dos laudos”, diz o delegado J.J. Cardia, titular da Delegacia de Investigações Gerais/Grupo Armado de Repressão a Roubos e Assaltos (DIG/Garra).
Ele ressalta que foi coletado material para realizar exame residuográfico tanto das mãos de Rozante quando das de Matilde. O exame mostrará se havia ou não resíduos de pólvora nas mãos dos dois, o que indicaria quem atirou.
No entanto, colegas de trabalho de Rozante descartam a hipótese de suicídio pelo fato dele ter sido morto com dois tiros - um na cabeça e outro na face - e de não ter sido achada nenhuma arma no local. “Não acredito em suicídio. Ele era muito ligado aos filhos, uma pessoa muito equilibrada e alegre, mesmo que estivesse com problema de dinheiro, foi morto com dois tiros e a arma sumiu”, observa o sargento Edson Borges, que era colega de trabalho de Rozante.
Familiares do policial, muito abalados durante o velório, não quiseram comentar o crime com o JC. Eles apenas disseram que sabiam somente o que foi registrado em boletim de ocorrência.
Se a versão de Matilde for verdadeira, resta saber quem é o encapuzado e porquê ele matou Rozante, que estava na Polícia Militar há 13 anos. “Ele era um policial exemplar, querido pela comunidade e pela corporação. Não relatou que estivesse sofrendo qualquer tipo de ameaça”, afirma o capitão Wellington Luiz Dorian Venezian, comandante da 3.ª Cia, onde o soldado estava lotado.
Ele ressalta que o crime será esclarecido. “Vamos aguardar as investigações. Acredito que dentre de alguns dias tudo estará mais claro”, diz.
O sargento Borges frisa que na residência do policial, uma casa no Núcleo Nobuji Nagasawa (Bauru 2000), não havia nada de valor para ser roubado. “Ele tinha acabado de acertar a compra da casa com a Cohab. Tinha um carro já velho e dava duro para sustentar a família. Não tinha o que ser roubado”, diz Borges.
A sargento Denise Lima Marques, também colega de trabalho de Rozante, concorda. “Não me parece um caso de roubo, mas isso só as investigações vão esclarecer. Ele não merecia uma morte assim, era uma pessoa de bem com a vida. Talvez ainda vamos nos surpreender com esse caso”, comenta.
Os três filhos do casal - de 13, 11 e 6 anos - estavam dormindo na hora do crime, por volta das 3h de ontem, e não teriam presenciado os fatos. O delegado J.J. Cardia explica que já ouviu algumas pessoas sobre o crime, mas ele preferiu não divulgar nomes nem o teor das informações para não atrapalhar as investigações.
As crianças, segundo o delegado, também serão ouvidas. Ontem, elas estavam na casa de parentes. A polícia aguarda a recuperação de Matilde para obter mais informações. Ela passou por cirurgia para retirar a bala alojada próximo ao pulmão e até ontem à noite ainda estava internada na UTI do Hospital de Base, em estado regular.
Ela teria sido amarrada com uma extensão telefônica e amordaçada com uma camiseta. O coldre do revólver do soldado foi achado sobre a cama do casal. Rozante foi enterrado, na presença de familiares, amigos e colegas da Polícia Militar, ontem à tarde no Cemitério do Jardim Redentor. Ele atuava na Base Leste, principalmente no Núcleo Mary Dota, Pousada da Esperança e Vila São Paulo, região que era bastante conhecido.
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