11 de julho de 2026
Economia & Negócios

Redução da Selic não oferece grande alívio ao consumidor

Gabriel Garcia
| Tempo de leitura: 3 min

A queda na taxa básica de juros (Selic) de 24,5% para 22% ao ano pode ter surpreendido os mercados, mas não traz alívio imediato para quem necessita de crédito ou está no limite do cheque especial. Logo após o anúncio, anteontem, instituições financeiras e lojas divulgaram a redução nas taxas de juros cobradas, mas a queda, em geral, ainda está aquém do necessário para reaquecer a economia.

“O reflexo da queda nas taxas de juros nunca vem de forma imediata. A pessoa que pega um empréstimo para investimento só perceberá esse reflexo após algum tempo”, afirma o superintendente do Escritório de Negócios da Caixa Econômica Federal (CEF) em Bauru, Geraldo Luiz de Oliveira. A Caixa foi uma das primeiras instituições a anunciar taxas mais baixas.

De acordo com Oliveira, a Selic é apenas uma “balisadora” dos juros cobrados pelos bancos, que levam também em conta o risco de receber de volta o dinheiro emprestado. Para ele, a diminuição dos depósitos compulsórios nos bancos, mês passado, proporcionou uma oferta maior de crédito no mercado - só a Caixa disponibilizou R$ 695 milhões em crédito.

Na opinião do economista Fernando Pinho, a queda na Selic é positiva do ponto de vista macroeconômico, mas não traz impactos sensíveis ao consumidor final. “Uma baixa de 2,5 pontos percentuais na Selic significa muito, levando em consideração que representa quase 10% do total da taxa”, observa. Mas completa: “Isso não vai ser suficiente para provocar nenhuma diminuição considerável na outra ponta.”

A Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac) divulgou um exemplo bastante ilustrativo sobre o pequeno impacto da redução para o consumidor. Segundo pesquisa da associação, a taxa de juros média dos crediários de loja baixou de 6,67% ao mês para 6,50%. Quem for comprar uma geladeira de R$ 800,00 em 12 parcelas, por exemplo, pagará R$ 1.176,60, contra R$ 1.187,52 com a taxa anterior. Na prática, o consumidor vai economizar apenas R$ 10,92 no total, ou R$ 0,91 por mês.

No cheque especial, a economia também é pequena. Segundo a Anefac, os juros médios do cheque especial caíram de 9,64% ao mês para 9,47%. O cliente que utilizar R$ 1.000,00 do limite por 20 dias agora vai pagar R$ 1,14 a menos.

Compasso lento

De acordo com o gerente de uma loja de departamentos de Bauru, Wagner Caetano, a empresa diminuiu suas taxas de juros prevendo uma queda na Selic, mas o que conta mesmo é a inadimplência. Os planos com melhores pagadores recebem uma espécie de subsídio. “As próprias empresas estão criando planos alternativos para que as taxas de juros possam ser menores”, diz.

Segundo Caetano, a taxa mínima do crediário cobrada pela loja caiu um ponto percentual antes mesmo do anúncio do Comitê de Política Monetária (Copom): de 5,5%, a taxa baixou para 4,5% ao mês. Ele afirma que essa “antecipação” no corte de juros ajudou a esquentar as vendas na loja.

Para o presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru (Acib), Cássio Carvalho, os reflexos positivos no corte da Selic só virão a partir do final do ano. “Enquanto não começar a acontecer contratação de pessoal, isso não significa nada”, declara. Ele afirma que a redução nos juros da praça, ainda que tímidas, andam num “compasso muito lento”.

Carvalho também observa que a taxa Selic não tem tanta influência sobre o cotidiano da indústria e do comércio quanto outras questões que ainda precisam ser definidas pelo governo federal, como o volume de impostos. “Na contrapartida, o governo está lançando a reforma tributária, o que deve aumentar nossos encargos”, diz.

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