Pederneiras - O grupo de sem-terra acampado no Horto Florestal Aimorés conseguiu ontem na Justiça a prorrogação do prazo para cumprir a liminar de reintegração de posse, concedida na semana passada. A juíza substituta Fernanda Martins Perpétuo de Lima Vasquez, da 2.ª Vara do Fórum de Pederneiras (26 quilômetros a Leste de Bauru), deu um prazo de mais nove dias para que o grupo desocupe a área.
A liminar de reintegração de posse determinava que a área deveria ser desocupada até anteontem.
A decisão da juíza substituta, dá um pouco mais de tempo aos sem-terra, mas mantém em vigor a determinação da liminar de desocupação da área. Mesmo assim, os integrantes do Terra Nossa comemoraram a decisão da juíza.
Durante o prazo de nove dias, eles esperam que o Instituto de Terras do Estado de São Paulo (Itesp) receba da União toda a documentação sobre a área invadida.
De acordo com o acampado Klinger Bueno, a área do horto está destinada à reforma agrária, mas ainda faltam alguns documentos para serem repassados pela União ao governo paulista.
Segundo Bueno, se até o dia 30, quando vence o prazo extra, o Itesp não tiver nenhuma decisão sobre a área, o grupo sairá do acampamento, mas não do horto florestal. “Isso já está definido. Do horto a gente não sai. Mesmo porque é uma área destinada a reforma agrária”, declarou Bueno.
Além dele, participaram da audiência com a juíza o representante da Central Única dos Trabalhadores (CUT) Paulo Lima e o acampado Edvaldo Albuquerque.
Do lado de fora do Fórum, cerca de 200 sem-terra aguardavam a resposta da juíza. A reunião demorou cerca de 20 minutos.
Apesar da audiência ter sido rápida, a chegada dos sem-terra até o Fórum demorou uma hora e meia.
Assim que chegaram a Pederneiras, eles se concentraram na avenida Eliseu Alvarez Gomes, na entrada da cidade. De lá, caminharam cerca de três quilômetros, passando pelas principais avenidas da cidade, como a Brasil e a Paulista, até chegar ao Fórum.
Durante o trajeto, o grupo despertou a atenção das pessoas que estavam ou passavam pelo local. Moradores saiam das casas ou olhavam curiosas pela janela, sem saber ao certo o que estava acontecendo.
O aposentado Antônio Francisco de Oliveira, 77 anos, disse que estava em casa cortando mamão quando ouviu o barulho dos alto-falantes dos sem-terra e saiu para ver o que era. Ele contou que ficou impressionado com a quantidade de pessoas que participavam da marcha, mas preferiu não opinar sobre se estavam certos ou não em fazer o protesto.
Além de reivindicar um prazo extra para sair da área, os sem-terra tentam obter outras vitórias na Justiça. Também ontem, o advogado Lafaete Pereira Biet, da CUT, entidade que apoia a reforma agrária, protocolou no Fórum de Pederneiras um pedido de reconsideração da decisão de reintegração de posse.
Nômades
Desde que chegaram ao Horto Florestal Aimorés, em janeiro passado, o grupo já mudou o acampamento de lugar seis vezes. Em todas elas, o procedimento foi uma consequência dos mandados de reintegração de posse e por questões de segurança.
De acordo com Albuquerque, que fez parte ontem da comissão que conversou com a juíza, o acampamento tem cerca de 230 famílias. Todas estariam cadastradas para receber um lote de terra do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).