08 de julho de 2026
Política

Psicóloga prevê funcionário multitarefa

Ronaldo Schiavone
| Tempo de leitura: 4 min

Além de melhorar a qualidade do trabalho que desempenha, o servidor público deve começar a se preocupar também em ampliar as suas áreas de atuação. Essa é a opinião da psicóloga Regina Maura Pereira Torres, pós-graduada em recursos humanos e administração.

“Uma das competências mais valorizadas nos talentos de sucesso do futuro é a flexibilidade e a habilidade de fazer várias tarefas ao mesmo tempo, conseguindo resolver, através da iniciativa, criatividade e do dinamismo, o maior número de problemas possíveis que chegam à sua mão, inclusive levando sugestões de melhorias aos seus superiores”, opina.

Ela acredita que os funcionários acomodados serão extintos em todos os setores. “Isso ocorrerá com qualquer profissional, seja ele do setor privado, seja um profissional liberal ou qualquer outro que não esteja atento e preparado para se antever às tendências do mercado”, diz.

A psicóloga defende, aliás, que o atendimento prestado pelo setor público será cada vez mais próximo do que é oferecido pelo privado. “O perfil ideal desse servidor (público) seria o mesmo do perfil do profissional da empresa privada, ou seja, um profissional que procura atender com presteza seus clientes externos e que dê uma solução ao problema mesmo que ele não seja de sua área”, declara.

Ela afirma que os supervisores também precisam aprender a valorizar os servidores . “Às vezes, eles não conseguem prestar esses serviços por desmotivação em relação à autonomia de inovações, ou seja, muitas de suas sugestões são tolhidas e não são implantadas”, opina.

Regina cita também a carência de recursos materiais como problema a ser enfrentado. “Existem muitas áreas da administração pública que sequer contam com computadores e programas que possam agilizar os seus serviços”, diz.

Para ela, o critério profissional deve se sobrepor a qualquer outro na hora de se medir a qualidade do funcionário público. “Há decisões políticas, mais que administrativas, em alguns setores, que desmotivam os colaboradores e, conseqüentemente, fazem com que esses serviços sejam prejudicados”, afirma.

Evolução

A psicóloga defende também que o próprio servidor deve se valorizar. “Os profissionais do futuro têm que lembrar que quem cuida de suas carreiras são eles próprios, portanto, têm que ter cuidado nesse sentido, ficando sempre atento às mudanças que estão ocorrendo ao seu redor e pensar todos os dias no que poderiam melhorar hoje, para que o serviço seja melhor do que ontem”, diz.

Ela cita os Correios como exemplo de empresa estatal que conseguiu evoluir. “Temos exemplos claros de empresas que passaram por reestruturações, se profissionalizaram e prestam excelentes serviços à comunidade, como é o caso dos Correios”, opina

Regina discorda que a pressão psicológica do dia-a-dia possa ser apresentada como desculpa para a queda de desempenho do servidor. “O mundo mudou e essa situação de estresse é comum a todos os profissionais”, declara.

Ela diz, porém, que nos casos em que o estresse for detectado é preciso um acompanhamento mais próximo. “Teremos que procurar a causa e trabalhar com isso”, declara.

A psicóloga defende também a utilização da análise psicológica nos processos seletivos. “Acredito que seria essencial, pois seria uma complementação do concurso. À medida que ele consegue detectar as competências técnicas, a avaliação psicológica ou de potencial detectará as competências emocionais, de aptidões e intelectivas que são essenciais para cada função”, diz.

Regina afirma, porém, que o ideal é que os supervisores também possam participar do processo de contratação do servidor. “Deveria ser uma junção da prova técnica, da avaliação de potencial e, inclusive, de entrevistas com as gerências das áreas envolvidas, pois, na verdade, será com esses gerentes que esse profissional deverá trabalhar”, opina.

Punição

O secretário municipal da Administração, José Angelo Padovan, afirma que a prefeitura procura dar assistência aos funcionários quando percebe que eles enfrentam algum problema de saúde que atrapalhe o desempenho do cargo, como alcoolismo e estresse, por exemplo. “Temos situações em que os casos são enviados para outros setores. O plano de saúde inclui casas de repouso para essas pessoas, por exemplo”, diz.

O administrador José Munhoz Fernandes afirma que o funcionário da Unesp que apresenta seguidas avaliações funcionais abaixo da expectativa deixa de receber benefícios e vai ficando para trás. Punições mais rígidas, no entanto, somente em casos raros. “No serviço público em geral, isso só acontece em última instância, quando o servidor infringe uma regra muito séria, como cometer roubos ou agressões”, revela.