O auge da seda no Brasil aconteceu entre os anos de 86/87, quando o mercado interno consumia 500 toneladas por ano. Em 90, a abertura das exportações fez com que o mercado interno encolhesse para 50 toneladas/ano. Nesta época, muitas tecelagens fecharam suas portas para dar lugar ao tecido importado.
Atualmente no Brasil, das 17 indústrias de fios da década de 70 só existem três. A maior delas é a Bratac, que possui fábricas em Bastos, Duartina e Londrina, no Paraná. Só ela beneficia diariamente perto de 30 toneladas de casulos verdes e fabrica aproximadamente 1.400 toneladas de fios de seda por ano.
A participação no mercado interno chega aos 65% da produção brasileira, o que representa 1,90% de todo o volume fabricado no mundo. De acordo com o presidente da Bratac, Antônio Takao Amano, 91% de toda a produção é exportada. “Exportamos para o Japão, Coréia do Sul, França, Índia, Suíça, Turquia, Inglaterra, dentre outros países.”
Amano frisa que no ano de 2000 e 2001 o mercado interno foi incrementado. “O Brasil consumiu 163 toneladas. Houve um incentivo no mercado interno. A seda é utilizada tanto para confecções como para a decoração.”
A alta no consumo do mercado interno, em função da coleção Primavera/Verão 2004, não deve refletir de imediato no mercado de fios, acredita o presidente. Mesmo que consumo aumente muito, as três indústrias de fiações no País têm condições de atender a demanda.”
O mercado interno é o alvo da Beraldin Sedas, por isso as tendências da moda influenciam na comercialização da seda. “Exportamos 10% da produção para Alemanha, Itália, Estados Unidos, Chile entre outros países. O nosso alvo é o mercado interno,” explica o presidente Ari Beraldin Jr.
A seda que sai de Gália vai brilhar nas vitrines. “Fornecemos seda para as grandes confecções e grandes marcas há seis meses, quando eles estavam criando os modelos que vão estar nas vitrines desta estação. Fizemos estampas de acordo com a necessidade do cliente.”
Segundo Beraldin Jr., a seda é um tecido nobre de fibra animal que mantém a temperatura do corpo. “Nesta coleção Primavera/Verão as cores quentes foram as preferidas.”
A seda, ele frisa, também é bastante usada na decoração. “Comercializamos muita seda destinada à decoração de ambientes. Na verdade, 80% da nossa produção vai para esse mercado.”
O presidente da empresa concorda que a maior crise da seda no Brasil ocorreu em 90, com a abertura das exportações, quando os tecidos da Coréia do Sul e da China entraram no país.
O declínio dessa década provocou o fechamento de uma das maiores indústrias de fiação de seda do país, a Kobes do Brasil, filial da Kobe Kiito, do Japão.
Alicerce
A sericultura é o alicerce da economia de cidades como Gália, Duartina, Lucianópolis e Fernão. Em Gália a criação do bicho- da- seda gera aproximadamente 800 empregos diretos e indiretos. Segundo o pesquisador Antônio José Porto, Gália sobrevive do agronegócio. “A criação do bicho-da-seda envolve a parte rural e urbana.”
A produção da região soma-se a do Estado de São Paulo que encontra-se em segundo lugar no ranking nacional de produção de casulos, com cerca de 545 toneladas, segundo dados da Associação Brasileira de Fiações de Seda.
O Estado do Paraná é o maior produtor do País, com mais de 8 mil toneladas na safra 2000/2001. O Mato Grosso do Sul é o terceiro colocado.
Os empregos nas cidades de Lucianópolis e Fernão são na área rural, enquanto que em Gália e Duartina há um misto de vagas na produção do casulo e na indústria de fiação.
Fonte: O Estado de São Paulo