10 de julho de 2026
Geral

IPMet receberá pesquisadores europeus para experimentos

Da Redação
| Tempo de leitura: 4 min

No início do próximo ano, cerca de 120 pesquisadores e técnicos de diversos países da Comunidade Européia vêm ao Brasil participar de vários experimentos em parceria com o Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet), sediado em Bauru. São pesquisas com balões estratosféricos de alta capacidade de vôo e aviões especiais que voam a mais de 20 quilômetros de altura.

O diretor do IPMet, Maurício Agostinho, explica que pesquisadores europeus, principalmente vindos da Alemanha e da França, realizarão experimentos sobre a produção de óxido de nitrogênio por descargas elétricas e pelas turbinas de aviões na atmosfera. Esta substância pode sofrer reações químicas e transformar-se em oxônio, que pode ser altamente poluente. O Brasil sediará o encontro em razão da alta incidência de descargas elétricas atmosféricas.

Os pesquisadores vão trazer dois aviões adaptados para a captação de informações durante o vôo: um Falcon, que pode voar a 12 mil metros de altura, e o M-55 Geofisica, que alcança 22 mil metros de altitude. Os aviões ficarão na base da Embraer de Gavião Peixoto, próxima a Araraquara, pois exigem refrigeração com água no pouso e uma pista de decolagem maior do que a existente em Bauru.

Os investimentos para as pesquisas e experimentos serão da ordem de seis milhões de Euros, mais dois milhões investidos somente pelos alemães. Isto equivale atualmente a mais de R$ 26 milhões.

O IPMet completa 30 anos de serviços em 2003. Criado em 1973, conta atualmente com cerca de 50 profissionais, entre meteorologistas, técnicos, pesquisadores e equipe administrativa, que mantém o instituto em funcionamento 24 horas por dia nos sete dias da semana. Segundo o diretor Maurício Agostinho, entre salários, manutenção e outros gastos, o IPMet tem o custo de cerca de R$ 1 milhão ao ano.

Atualmente, o instituto controla os radares meteorológicos de Bauru e de Presidente Prudente, fazendo a cobertura de todo o Estado de São Paulo e regiões adjacentes, como o Norte do Paraná, Sul de Minas Gerais e Sudeste de Mato Grosso do Sul. “Fazemos o monitoramento das precipitações e do estado do tempo em todo o Estado. É a chamada previsão regional, por estarmos dentro da área de observação dos radares. Apesar de recebermos informações de todo o Brasil e da América Latina, nos limitamos a fazer nossa previsão em São Paulo”, explica Agostinho.

No IPMet, é realizada a previsão de curto prazo, para o dia seguinte. Com as informações recebidas de outros centros meteorológicos, é apresentada uma tendência para os próximos dias. “Realizamos a previsão imediata, com monitoramento do estado do tempo e das precipitações (chuvas) 24 horas por dia. Acompanhamos os deslocamentos das células de precipitação e podemos prever áreas que serão atingidas daqui a dois ou três minutos até duas horas”, diz o diretor.

Com os dados atualizados a cada sete ou 15 minutos, é possível para o instituto fazer previsões imediatas, divulgadas através do próprio site do IPMet. Na opinião de Agostinho, não só a Defesa Civil pode ter benefício nas previsões, como também empresas de construção e obras. “Se por exemplo, há uma tubulação que precisa ser escavada, com pessoas dentro, uma chuva pode causar um soterramento. Com a previsão, é possível retirar esses trabalhadores do local”, comenta. O site do instituto tem, de acordo com o diretor, por volta de 12 mil acessos diários.

Alerta

Já no caso de chuvas de forte intensidade ou tempestades, o IPMet entra em contato com a Defesa Civil estadual e municipal, além de emitir alertas em seus boletins, a fim de deixar policiais, bombeiros e a sociedade em alerta. “As chuvas não acontecem de repente, mas pegam as pessoas desprevenidas. No instituto, nós acompanhamos o desenvolvimento das precipitações. Por exemplo, viagens de avião podem ser adiadas 15 ou 30 minutos para evitar áreas de chuva forte”, orienta Agostinho.

O meteorologista Luís Fernando Adelmo, formado na Universidade Federal de Pelotas (RS), explica que profissionais são responsáveis por avaliar as informações recebidas, as imagens de satélite e dos radares e os modelos prognósticos para finalizar as previsões. “A previsão dificilmente erra. Em razão desses modelos prognósticos, o maior avanço na ciência da meteorologia na minha opinião, temos uma precisão muito grande do que vai ocorrer num prazo de até cinco dias. E já existem mecanismos de previsão de até dez dias”, diz Adelmo.

Os modelos prognósticos são programas rodados em computadores de alto processamento, que analisam dados de radares e satélites, pressão atmosférica, temperatura, chuvas, etc., e realizam as previsões do estado do tempo.

Hoje, o Brasil possui faculdades de meteorologia nas Universidades Federais de Pelotas (RS), Alagoas, Campina Grande (PB), Pará, Rio de Janeiro e na Universidade de São Paulo (USP). Agostinho conta que o IPMet está preparando a proposta de um curso de meteorologia na Universidade Estadual Paulista (Unesp), no câmpus de Bauru. “Trabalhamos em conjunto com a Unesp. Queremos implantar o curso em Bauru a partir de 2005”, finaliza.

• Serviço

A previsão do tempo pode ser consultada nos sites www.ipmet.unesp.br e www.previsaodotempo. unesp.br.