Um adolescente de 17 anos confessou ontem à tarde que foi o autor dos disparos que mataram um policial militar e feriram sua esposa na última quinta-feira, dentro da residência do casal. Ele afirmou que foi contratado pela mulher do policial e receberia R$ 10 mil pelo serviço.
O sargento William Carlos Vieira, da 7ª Companhia da Polícia Militar (PM), conta que uma ligação anônima ao Centro de Operações da PM (Copom) denunciou que a arma do policial morto, Edvaldo Rozante Ribeiro, 34 anos, estaria com um morador da favela do Jardim Ivone.
Os policiais militares Sérgio Roberto dos Ramos e Marcelo Costa, da Base Comunitária Leste, encontraram o rapaz, que confessou ter vendido a arma para um conhecido. “Com a viatura da Base Leste e do Tático, fomos até lá e encontramos a arma ainda com a numeração inalterada, na estante da casa dele”, relata o sargento William.
O primeiro rapaz procurado pelos policiais também contou que tinha recebido a arma do adolescente de 17 anos. Por meio das características físicas e dos dados obtidos, os policiais conseguiram encontrar a residência do garoto, no mesmo bairro, e o apreenderam assim que ele chegou em casa.
O adolescente e os dois rapazes foram levados pelos policiais para a Delegacia de Investigações Gerais/Grupo Armado de Repressão a Roubos e Assaltos (DIG/Garra), por volta das 15h, quando o delegado J.J. Cardia tomou o depoimento dos três. “O menor confirmou detalhadamente que foi o autor dos disparos”, diz Cardia. Os outros dois rapazes, por não terem participação no homicídio, foram ouvidos e posteriormente seriam liberados.
O adolescente relatou que foi procurado pela esposa do policial, Matilde Pizinelli Ribeiro, 32 anos, há cerca de quatro meses, que o contratou para matar seu marido por R$ 10 mil. A quantia, segundo ele, seria paga com um cheque, após o crime. Ele deveria esperar três ou quatro meses antes de descontá-lo, provavelmente até a esposa receber o seguro de vida do marido, acredita o sargento William.
O adolescente afirma que não sabia que Rozante era policial militar e nem conhecia Matilde antes de ser contatado. Todo policial, civil ou militar, tem garantido pelo Estado o pagamento de um seguro de vida à família, mas que é válido apenas para morte ocorrida em serviço.
A ação
O garoto conta que encontrou-se quatro vezes com Matilde para planejar o homicídio, e que o combinado final era simular um roubo na residência do casal, no Núcleo Nobuji Nagasawa (Bauru 2000).
De acordo com o depoimento do adolescente, na madrugada de quinta-feira Matilde foi até a casa do garoto para buscá-lo, por volta das 3h15. Os dois voltaram para a residência do casal e o garoto conta que enquanto Rozante e os três filhos do casal dormiam, Matilde foi até o quarto e pegou a arma do marido. O garoto disse que recebeu o revólver e ela retornou para dentro da casa, deixando a porta aberta com o molho de chaves do lado de fora da porta.
Rozante foi morto dormindo em sua cama, com um tiro na cabeça e outro na face, com sua própria arma. Para simular o roubo, o adolescente disse que amarrou Matilde a uma cadeira e deu-lhe um tiro no ombro. A bala perfurou o membro e alojou-se próxima ao pulmão. Ela continua internada na unidade de terapia intensiva (UTI) do Hospital de Base. Matilde disse, antes de ser conduzida ao hospital, que uma pessoa encapuzada havia invadido a casa, amarrado-a em uma cadeira e efetuado os disparos contra ela e Rozante.
Cardia solicitou a internação compulsória do adolescente, que deve ser levado para o Núcleo de Atendimento Integrado (NAI) e depois para a Fundação do Bem-Estar do Menor (Febem). “As providências (em relação a Matilde) serão tomadas durante o inquérito, que será aberto e conduzido pelo 2º Distrito Policial. Ela permanece internada no HB”, diz Cardia.