08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Artimanhas da democracia


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Faço parte, na qualidade de delegado, da recém-eleita Comissão para a Conferência Municipal da Cidade, na composição proporcional (30 membros) destinada aos Movimentos Sociais e Populares e também no Conselho Municipal da Água, também na composição ao mesmo segmento. Em ambos, apesar de ter a rica oportunidade de discutir questões relevantes relacionadas ao desenvolvimento do município, como um todo, sinto-me totalmente cerceado, antes mesmo do início dos trabalhos de ambos os grupos de ação.

É simples. Acreditamos viver numa democracia, porém, quando vamos aos “finalmentes”, nos defrontamos com a dura realidade. Nem tudo é tão democrático assim, pois sempre uns acabam sobressaindo-se a outros. Essa é a democracia que uns poucos querem, pois legislam tudo de uma forma muito bem articulada, para que seus interesses nunca percam perante outros. Entendo democracia como oportunidade igual para todos e principalmente condições iguais, sem que um grupo tenha mais benefícios/privilégios, facilitando a imposição de seu pensamento. Tem coisa que é muito bonita na teoria, mas na prática, nem tudo é tão lindo.

Fica evidente, com a somatória de todos os componentes desses dois órgãos, o grupo dirigente/coordenador nunca perde. Quer dizer, aos outros resta o debate acalorado, mas quando o tema fere ou vem em desencontro com os interesses deles, numa votação, pela composição imposta, não existe a mínima chance de outros interesses ganharem no voto. Fazer democracia dessa forma é muito fácil, não se perde nunca. Para quem participa, fica-se com a impressão de que estamos praticando algo significativo, pois ocorrem alguns avanços, mas no momento do “pega pra capar”, do “vamos ver”, podem ter certeza, “never de catibiriba”. Ficamos sempre chupando o dedo. Não estou a par de como é feita a composição dos demais conselhos municipais, mas acho que isso deve ser levado em consideração imediatamente, ou seja, uma real paridade de forças entre os componentes, pois do contrário, estaremos brincando de democracia. E não devemos brincar com coisa tão séria.

Henrique Perazzi de Aquino - RG 9.710.205-2