A poucos quilômetros de Bauru, o rio Tietê ainda mostra sua beleza e força. Mesmo sendo obrigado a “sobreviver” à devastação e, principalmente, à poluição, suas águas escondem peixes surpreendentes.
Em Arealva, a pouco mais de 30 quilômetros de Bauru, é possível passar momentos de descontração e alegria à procura de peixes.
No último domingo, o primeiro final de semana com um pouquinho de sol, arriscamos uma pescaria de apaiari e tucunaré, com varinha telescópica. Para isca, optou-se em usar camarões e lambaris, este último, muito apreciado pelo tucunaré.
O grupo, formado por Osni Pizarro, da BoaPesca, Marcos Aurélio Fabri, Douglas Reis e esta repórter aventurou-se em uma verdadeira “caçada” aos peixes. A intenção era encontrá-los, mesmo se fosse necessário enfrentar os ventos que surgiram no começo da tarde.
A movimentação de pescadores era bastante reduzida, encontramos apenas um barco arriscando na pesca de corvinas, mas sem muitos resultados. Nas margens, alguns homens curtiam a tranqüilidade do rio e algumas fisgadas.
Primeira parada
Após navegar pelo lago, Pizarro decide apoitar para dar início à pescaria. Já no primeiro arremesso, ele fisga um apairi, peixe bonito, colorido, com um perfil de tilápia, com cores vivas e um ocelo, semelhante ao do tucunaré.
“Ele nada de lado”, explica Fabri. “Por isso, na vara telescópica é mais gostoso de pescar. Dá uma briga gostosa”, enfatiza Pizarro. Mesmo com o vento, o grupo ficou animado com a possibilidade de uma boa pescaria. Talvez seria o dia da minha estréia na pesca do apaiari.
Aí veio uma paradeira. Troca de isca, arremessa mais próximo aos aguapés, onde os tucunarés e apaiaris se encondem. Começou a pesca de enrosco. Eu peguei pelo menos uns dez aguapés, com folhas, flores e frutos, diria a professora.
Um enrosquinho é a coisa mais natural na pescaria, principalmente quando se usa iscas artificiais, com suas garatéias prontas para prender onde quer que seja. Às vezes, em um tucunaré bitelo, em outras nos tocos e folhas das margens. Mesmo com a varinha telescópica, anzol pequeno, com bóia, tive dificuldade em sair das plantas. Bom motivo para escolher um novo ponto de pesca.
Mas quem conhece a região, sabe que o lago não é dotado de muitas galhadas submersas, essas sim lugares preferidos do tucunaré. Desta vez, o ponto parecia promissor. Novos camarões nos anzóis e linha na água.
Momentos de animação. Nos primeiros arremessos, vários ataques às iscas, porém um deles deixou uma “pulga atrás da orelha” dos pescadores: o peixe cortou a linha e levou tudo. Isso não é coisa de apaiari nem de tucunaré, este último, aliás, ainda não havia dado “as caras”.
“Tá parecendo traíra”, comentou Pizarro, após ver a minha linha cortada mais uma vez, quando colocava um novo anzol. E o grupo continuou, persistente, no mesmo lugar. Coisa de pescador!
Foi nessa hora que Pizarro capturou o “ladrão” de iscas: uma bela piranha! Quando o pescador encontra um lugar bom para pegar piranha, de duas uma: ou ele muda de local ou ele resolve fazer um caldo. Escolhemos a primeira opção e partimos para outro ponto.
Finalmente, o tucuna!
O dia estava chegando ao fim quando Fabri fisgou um tucunaré. Ainda pequenino, mas com a forte característica brigadora da espécie, o peixinho fez a alegria do pescador, que temia voltar para casa sapateiro. Rapidamente, Fabri liberou o peixinho, mas prometeu voltar para buscá-lo em outra oportunidade.
Os pernilongos começaram a satisfazer seus desejos em nossas pernas e braços, enquanto arriscávamos os últimos pinchos. Mas aquele era realmente um dia de peixe. Quando os peixes perceberam que iríamos embora, eles começaram a dar “o ar da graça” e mesmo tentados a ficar, a prudência falou mais alto. Apesar de haver uma lanterna no barco, a segurança poderia ficar comprometida na navegação noturna.
Diante disso, o grupo deu adeus aos peixes, mas com a certeza que eles estão lá, em algum lugar, prontos para fazer a alegria de qualquer pescador.
Mesmo quem voltou sapateiro (eu e o Douglas), passamos uma tarde deliciosa, com o som dos pássaros, que teimam em fazer uma grande algazarra, e a serenidade das águas do rio Tietê, mais lago que rio, mas belo mesmo assim.