Em assembléia unificada realizada na tarde de ontem, cerca de 100 professores e servidores do câmpus de Bauru da Universidade Estadual Paulista (Unesp) decidiram suspender a greve iniciada no último dia 21. Na próxima segunda-feira serão retomadas as atividades no câmpus, mas as aulas só recomeçarão no dia 8 de setembro. As informações são do diretor da Associação dos Docentes da Unesp (Adunesp) Gilberto Magalhães.
De acordo com ele, a decisão de terminar a greve foi tomada com base no indicativo do Fórum das Seis - entidade que congrega os sindicatos de docentes e funcionários da Unesp, Universidade de São Paulo (USP) e Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), definido ontem de manhã.
De acordo com Magalhães, as aulas só serão retomadas no dia 8 porque já constava do calendário da universidade a Semana da Pátria - de 1 a 5 de setembro -, quando tradicionalmente o cronograma letivo é suspenso. A reposição das aulas durante o período em que a instituição ficou em greve, em protesto pela reforma da Previdência, deve ser feita ainda neste ano.
“Na assembléia de hoje (ontem) também foi deliberado que continuaremos desenvolvendo um calendário de mobilização para protestar contra a reforma. Faremos isso por meio de debates com a comunidade e outras atividades que ainda vamos definir”, afirma Magalhães.
O objetivo, segundo o diretor da Adunesp, é continuar promovendo debates sobre o tema até a votação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 40 - que trata sobre a reforma da Previdência - no Senado.
Para hoje está marcado o “Farol da vergonha”, atividade de protesto a ser realizada no Calçadão, esquina com a rua 13 de Maio. “Mostraremos as fotos dos deputados que votaram a favor da reforma da Previdência”, diz Magalhães.
Para o diretor da Adunesp, o movimento grevista foi positivo e surtiu o efeito desejado pela universidade. “Nós, da Adunesp, avaliamos a greve e demais mobilizações como positivas porque tudo isso acabou gerando uma série de discussões em torno da reforma da Previdência. É importante promover debates elucidativos sobre um assunto que vai mexer com tanta gente.”
Para a diretoria da Associação dos Docentes da Unesp, a PEC 40 não garante a integralidade dos salários, o que só seria definido após a aprovação em um texto complementar. Outra questão envolve o impedimento do pedido de aposentadoria em não menos de dez anos após o ingresso em uma categoria de salários.
A taxação dos inativos e o fim da paridade entre salários de aposentados e trabalhadores na ativa também são alvos de críticas por parte de docentes e funcionários da Unesp.
O câmpus de Bauru da Universidade Estadual Paulista conta com 1.300 funcionários, entre professores, servidores técnicos e administrativos.