09 de julho de 2026
Regional

Unesp estuda ar inalado por canavieiros

Por Bárbara Costa | Tribuna Impressa (Especial para o JC)
| Tempo de leitura: 2 min

Araraquara - O ar inalado pelos cortadores de cana será analisado pelos pesquisadores do Instituto de Química da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Araraquara (125 quilômetros a Nordeste de Bauru). O objetivo do estudo é medir a quantidade e os tipos de hidrocarbonetos policíclicos aromáticos inalados pelos trabalhadores nos canaviais.

O assunto será explorado pela professora doutora do departamento de Química Analítica, Mary Rosa Santiago, e pelo doutorando Sandro José de Andrade.

Mary é orientadora do projeto e há dez anos pesquisa as substâncias. Ela conta que os hidrocarbonetos policíclicos aromáticos resultam do processo de carbonização da matéria orgânica e estão presentes em alimentos do dia-a-dia como torradas, ovos fritos, churrascos, nos cigarros e em todo o tipo de queimada.

Essas substâncias podem ser carcinogênicas (causar câncer). Podem também causar mudanças no código genético (DNA) e, caso afete células reprodutoras, passar essa alteração para novas gerações.

Mary explica que não há estudo sobre esse tema na literatura científica porque somente no Brasil existe o corte manual da cana-de-açúcar queimada. Segundo ela, outros países que queimam a cana fazem o corte mecanicamente.

Uma pesquisa parecida foi realizada com cortadores de cana em Catanduva (no noroeste do Estado), onde foi feito um levantamento da quantidade de hidrocarbonetos expelida na urina dos trabalhadores.

Neste estudo, foi constatado que a substância é encontrada em maior quantidade na urina do trabalhador rural que tem contato direto com ela.

No entanto, essa quantidade é menor nos trabalhadores de outras atividades, onde também há o contato com os hidrocarbonetos.

Entre essas profissões estão os motoristas de ônibus e caminhões, funcionários na produção de carvão vegetal, na extração de carvão mineral, dos pedágios e das indústrias siderúrgicas e de alumínio.

Na primeira fase do projeto, realizada há duas semanas, cinco cortadores de cana receberam uma bomba que suga o ar e simula a inalação humana. O equipamento, que pesa cerca de 500 gramas, é colocado na cintura do trabalhador.

Acoplado à bomba fica uma pequena mangueira com um filtro na outra extremidade, que deve ficar a uma distância de no máximo 30 centímetros do nariz e boca. Esse equipamento é importado e foi emprestado pela Unesp de Jaboticabal. Seu custo é de aproximadamente R$ 3 mil.

Os dados coletados na amostragem deverão estar prontos até o fim do ano e a tese será apreciada em julho de 2004.