08 de julho de 2026
Saúde

Bebês devem ter estímulo na 'dose' certa

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 4 min

Nem de mais, nem de menos. Os estímulos oferecidos ao bebê a partir do nascimento são determinantes para a qualidade de seu desenvolvimento neuropsicomotor. O excesso pode deixar a criança agitada e a falta de estímulos tende a tornar o processo muito lento. O ideal é que tudo ocorra da maneira mais natural possível, a menos que o bebê apresente alterações e necessite de tratamento especializado.

Este foi o tema de um treinamento realizado recentemente pela Universidade do Sagrado Coração (USC) de Bauru a alunos e professores do curso de terapia ocupacional. A terapeuta Vitória Steinberg, do Instituto Brasileiro de Reeducação Motora (Rio de Janeiro) veio capacitar os profissionais da área para reconhecer desvios do desenvolvimento e promover o tratamento adequado.

Segundo ela, graças à ultrassonografia e outros exames modernos, a medicina tem muitas informações sobre o que acontece com o bebê desde a fase intra-uterina. Hoje, sabe-se que o som é transmitido para ele dentro do útero, que a visão começa a se desenvolver e que ele já se movimenta muito antes de nascer.

“Tendo esse conhecimento, a gente entende a importância desse bebê, ao nascer, sugar, ser tocado, ser estimulado. É assim que ele consegue um desenvolvimento normal”, explica.

Ela afirma que, para a maioria das crianças, quando tudo vai bem, as atividades da vida diária (amamentação, troca de fraldas, banho, enxugar, vestir, brincar) são suficientes para um bom desenvolvimento. É o que os especialistas chamam de estimulação essencial.

A criança vai descobrindo e aprimorando seus sentidos e movimentos a partir de coisas simples, como quando alguém lhe faz cócegas, quando lhe oferecem um brinquedo, quando acionam uma caixinha de música, ligam a televisão ou toca o telefone.

“Conforme ela cresce, o próprio interesse que ela tem pelas coisas a faz aprimorar. Ela vai levantar a cabeça para ver um objeto, vai rolar para os lados na tentativa de obter alguma coisa, vai ficar de pé para mexer numa mesa, vai engatinhar pela vontade de pegar um brinquedo, vai subir e andar pelo interesse em explorar melhor o ambiente e assim por diante”, comenta a terapeuta.

Ela salienta que tudo isso acontece em etapas e que há um tempo certo para cada uma delas. Há estudos indicando o tempo que o bebê leva para afirmar a cabeça, para sentar, para rolar até andar.

“Mas, na prática, essas idades são meros marcos referenciais. Uma criança pode começar a andar aos dez meses e a outra só com um ano e três meses e as duas têm o desenvolvimento normal. Existem tabelas (ao lado), mas isso é muito flexível. Pode variar conforme os estímulos que o bebê recebeu e seus fatores genéticos”, destaca.

Indagada sobre bebês mais preguiçosos, porém, Steinberg adverte que isso não existe. “Se a criança é preguiçosa e faz menos é porque ou algo não foi adequadamente estimulado ou a criança tem reais dificuldades”, afirma.

Segundo ela, uma criança que não rola aos sete meses (o normal é entre quatro e cinco meses) pode ter ficado tempo demais deitada com a barriga para cima, pode ser muito pesada, pode ter tido pouco espaço, pode estar com as articulações moles ou duras demais ou ficou muito tempo no colo. “Tudo isso cria uma dificuldade real para essa criança conseguir fazer as mudanças de postura”, observa.

Mas ela adverte que o excesso de estímulos também é prejudicial e pode deixar o bebê irritado e agitado. “A criança de hoje já recebe muitos estímulos. São brinquedos supercoloridos e sonoros, televisão, muitas pessoas em volta - principalmente porque a maioria vai para a creche logo nos primeiros meses de vida”, diz.

Ela afirma que a criança também precisa ficar algum tempo sozinha, sem estímulos, para se conhecer, se tocar. “Nosso umbigo é nosso centro. O bebezinho que não consegue se conhecer pode se tornar um adulto que tem dificuldade de lidar com seu próprio ser, com seus sentimentos”, destaca.

De acordo com a terapeuta, o primeiro ano do bebê é primordial para sua formação por toda a vida. “Seja motricidade de postura, de movimento das maõs e braços, motricidade de cabeça com movimentos de visão, audição. Tudo o que eu faço hoje são funções que adquiri no primeiro ano de vida. Rolei, sentei, engatinhei, andei. O que vou fazer dali para a frente é aprimorar habilidades adquiridas naquele ano”, afirma.

O trabalho dos terapeutas é identificar e tratar alterações neuropsicomotoras em bebês de risco (leia mais abaixo). Mas mesmo para crianças que nascem sem nenhum problema aparente, Steinberg recomenda aos pais que observem o desenvolvimento dos bebês com cuidado. Se um atraso for maior que dois meses, deve-se buscar orientação profissional.

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