08 de julho de 2026
Mulher

A onda da moda no rádio

Luly Zonta
| Tempo de leitura: 5 min

“Mostrar” a moda no rádio é um desafio que poucos ousaram fazer. Afinal, como o veículo não dispõe do canal visual, fica complicado dar dicas pelas suas ondas.

Até hoje, no Brasil, só se tem notícia de flashes feitos para uma emissora paulistana pela consultora Glória Kalil, numa das edições da São Paulo Fashion Week, no final dos anos 90.

Mas, em Bauru, a cena, ou melhor, o áudio, é um pouco diferente. Maria Fernanda Hinke, que é publicitária e dona de loja de roupa, resolveu levar a moda para o rádio sim. Afinal, era a mídia que sempre lhe deu resultado, lhe transformou numa personagem, a garota propaganda de sua própria empresa, e “mudou” até seu nome para Maria Fernanda Fashion.

“Todo mundo me chama assim”, comenta a jovem empresária, que faz pós-graduação em marketing de moda no Instituto Brasileiro de Moda (IBModa).

Há dois anos e meio, ela abriu sua loja. E, logo depois, começou a usar o espaço publicitário da 96 FM como sua principal mídia.

Maria Fernanda conta que a amiga e radialista Luciana Gonçalves sugeriu que ela mesmo gravasse os spots.

“Ela estreou como locutora das próprias peças e as pessoas começaram a ir à loja para saber de quem era a voz, se era verdade mesmo”, revela Luciana, que hoje cuida do marketing da loja de Maria Fernanda.

“Muita gente ia lá só por causa da voz. Quando converso ao telefone ou com uma pessoa sem me identificar, muitas vezes ouço o comentário: mas eu conheço essa voz! Você não é a moça que fala no rádio!?”, diverte-se.

Foi dessa repercussão positiva e do retorno comercial que, em conjunto, resolveram formatar spingles (a fusão de spot com jingles) com dicas de moda.

“Quando se fala em moda, a tendência é você imaginar o visual. Mas resolvemos falar de moda no rádio porque achamos esse veículo uma excelente passarela. Pois a pessoa ouve a informação e quer ver, então, ela vai à loja. Sua curiosidade foi aguçada e, principalmente a mulher, é muito curiosa. Isso é uma constatação.”

Dessa maneira, com direito a trilha sonora e textos especialmente criados para falar de moda no rádio, o primeiro programa foi ao ar dia 8 de agosto, com flashes de 30 segundos durante a programação da 96 FM. Semanalmente, quatro dicas são alternadas.

Os spingles, uma mídia que tem sido muito difundida nas capitais, também ganharam outra mídia para divulgá-los. As meninas fizeram filipetas para anunciar o programa.

“O programete é bem versátil e entra em diversos horários para que todos possam ouvir e ficar perto do mundo fashion, que, para muitas pessoas do interior, é algo bem distante, mas não é”, define a lojista, que adapta toda a informação que busca no curso de moda, nos desfiles, revistas, livros e compras para a vida real e radiofônica.

Araras e peruas

Aliás, a carreira de Maria Fernanda no mundo da moda começou, como ela define, com a sua própria peruisse, gosto pelo extravagante, diferente e principalmente, cor-de-rosa, que hoje dá o tom à sua nova logomarca.

“Sempre fui perua e compro até hoje qualquer coisa rosa, até sapato.”

Esse jeito decidido fez com que ela, aos 8 anos, brigasse com a mãe e a costureira pelo modelo da roupa da festa de aniversário e, aos 15 anos, usasse vermelho.

Dois anos depois, na flor da adolescência, suas amigas também queriam ser como ela. Foi então que Maria Fernanda, uma estudante e ouvinte de rádio, começou a vender roupas.

“Ia para São Paulo e pinçava as peças para as minhas amigas, tias, primas e vendia dentro de casa. Em pouco tempo tive que me mudar para o quarto da minha mãe e transformei o meu quarto em loja, com direito a araras e porta-bijuterias. Tempos depois, minha mãe achou melhor buscar um ponto comercial, pois, em casa, já não dava mais, era toda hora gente na porta.”

Perfume e desfile

Hoje, mesmo com apenas 22 anos, Maria Fernanda é uma profissional arrojada. No aniversário de um ano da sua loja, encomendou uma fragrância importada da Victoria Secrets e colocou a sua marca em 100 frascos exclusivos e numerados, que distribuiu para as clientes cativas na festa e que cativou outras freguesas na semana seguinte.

“Tudo acabou em sete dias”, comemora.

A exclusividade é uma marca registrada de suas compras para a loja. Para a modinha básica, ela separa peças diferentes e com poucas variações de cores. Agora, as peças de noite são únicas.

No ano passado, quando estava no último ano da faculdade, promoveu, junto com Luciana, que também é fotógrafa e professora, um desfile na hora do intervalo, no pátio da universidade, que foi assistido por 4.500 pessoas.

O interessante é que as modelos foram selecionadas no pátio e depois participaram de ensaios inusitados que se transformaram em exposição fotográfica.

Algumas freguesas também viraram modelos e ganharam até foto no site, que em breve estará novamente no ar.

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As dicas de moda na 96 FM por Maria Fernanda Fashion

• Número 1

"Oi gente!!! A moda de Belo Horizonte está um espetáculo!! Muito tricot... Apliques de peças em vinil nas blusas... Tachinhas metálicas, fazendo um visual punk rock. E o estilo new romântico nos vestidos com detalhes de jeans e seda!!"

• Número 2

"Oi gente!!! As calças primavera-verão estão com uma proposta ultra-sexy!! Barras amarradas ao tornozelo, deixando os saltos altíssimos à mostra... Modelo cargo, na versão cetim, Fivelas e bolsos utilitários E coloridíssimas leggings... Para você usar com blusas esvoaçantes e cinto. Lindas demais!"

• Número 3

"Oi gente!!! As cores do verão 2004 são chocantes!!! Prepare-se para usar verde-limão, amarelo-lima, rosa- pink, azul-turquesa e laranja-cítrico...

É a tendência psicodélica nas minissaias, leggings, regatas, calças, vestidos e até nos sapatos... E a moda prata entra com tudo!!! Nos acessórios e apliques... Use e abuse das cores vivas!!"