A União dos Diretores do Ensino Médio Oficial do Estado de São Paulo (Udemo) vem se mostrando contrária ao programa Escola da Família, que abriu as escolas nos finais de semana para a comunidade. O programa é uma iniciativa do governo de São Paulo em parceria com a Unesco, que tem estudantes universitários e profissionais coordenando atividades recreativas, culturais e educativas nas escolas da rede estadual, voltadas para toda a comunidade.
A diretora da Udemo, Maria José de Oliveria Faustini, explica que os diretores não estão se posicionando contra a presença da família dos alunos e da comunidade nas instituições. “A escola já é da família. Os professores e diretores trabalham a semana toda para tentar aproximar a família da escola. Queremos trazê-la, mas não é em um sábado ou domingo que você vai conseguir isso”, afirma.
A Udemo diz que o programa vai sacrificar o diretor das escolas, que não terá dias de descanso na semana, sendo necessária sua presença durante as atividades aos sábados e domingos. “Conseguimos que não houvesse obrigatoriedade da presença e que isso seja optativo. O diretor poderá ou não participar. Mas como um diretor vai querer deixar sua escola aberta e sem nenhum responsável?”, questiona Maria José.
A diretora reitera que não é contra as atividades e a presença da família e da comunidade na escola. “A gente já abre a escola nos finais de semana quando a comunidade requisita, através da Associação de Pais e Mestres (APM), para usar a quadra ou algum espaço para uma atividade”, diz.
Pagamento
Maria José indica que outro ponto controverso do programa é o pagamento para os profissionais envolvidos nas atividades do Escola da Família. “Para o universitário, é bom que ele receba sua bolsa de estudo, o governo deve ajudar mesmo estes alunos. Mas o programa envolve muito dinheiro, com outros profissionais que também recebem”, afirma.
A diretora aponta que cada educador profissional receberá, mensalmente, R$ 500,00 pelas oito horas de trabalho em cada fim-de-semana. Os supervisores envolvidos receberão entre R$ 700,00 e R$ 800,00, e também foi oferecido aos diretores das escolas um pagamento de R$ 400,00.
“A gente acha que (o programa) poderia ser feito sem nenhum gasto, como as escolas já vinham fazendo”, sugere Maria José.
A diretora da Udemo lembra ainda de outro ponto passível de discussão, que é a limpeza. Segundo ela, os funcionários deverão entregar a escola em ordem para a realização das atividades no final de semana. “E na segunda-feira, como os alunos vão receber a escola? Não há funcionários para limpá-la no domingo”, afirma.
A vice-diretora da Escola Estadual (EE) Stela Machado, Beatriz Arndt, concorda com a posição da Udemo, de que os diretores sacrificam seu descanso em razão do programa. “Eu não tive final de semana, porque fiquei acompanhando as atividades. É obrigatório que um representante, diretor, vice ou um coordenador, esteja na escola. E mesmo que não fosse obrigatório, a gente não ficaria em casa despreocupado, com a escola aberta”, diz.
Já a vice-diretora da EE Ernesto Monte, Alzira de Góes, não acha que o programa seja um peso para os diretores. “O diretor vem, fica um pouco, acompanha as atividades e pode ir embora. Nós temos de trazer a comunidade para dentro da escola, pois tudo isso é dela, da sociedade.”
Quanto à questão da limpeza, Alzira acredita que os participantes terão bom senso. “O projeto vai formar cidadãos. Se eles vão usar os banheiros e todas as dependências, devem usufruir disso como cidadãos”, aponta.
O programa Escola da Família teve início final de semana passado, com atividades esportivas, culturais, educativas e recreativas nas 47 escolas da rede estadual de Bauru.
Os universitários que se inscreveram no programa e foram selecionados para realizar as atividades receberão uma bolsa-auxílio do governo de cerca de 50% de sua mensalidade. O restante será bancado pela instituição onde o aluno estuda. Em Bauru, participam do programa a Universidade do Sagrado Coração (USC) e o Instituto de Ensino Superior de Bauru (Iesb).