Um levantamento feito pela Companhia de Tecnologia e Saneamento Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), divulgado no início de agosto, aponta poluição no rio do Peixe, no trecho localizado na cidade de Marília (100 quilômetros a Noroeste de Bauru). Os índices de qualidade da água foram considerados ruins ou apenas aceitáveis em determinadas épocas do ano.
Parte da cidade é abastecida pela água captada no rio. O estudo levou em consideração o Índice de Qualidade das Águas (IQA), uma escala que varia de zero a 100, baseada em uma série de parâmetros.
No trecho monitorado, a média desse índice, em 2002, foi de 50, o que significa aceitável. Em alguns meses, porém, como em janeiro daquele ano, chegou a 36, considerado ruim.
Para o gerente da Cetesb em Marília, Paulo Wilson Pires de Camargo, o resultado não chegou a surpreender. Ele acredita que existe uma maneira de resolver o problema. “Uma vez implantado o tratamento de esgoto, desde que apresente a eficiência desejada, a própria natureza se encarrega de recuperar a parte da qualidade do rio.”
Porém, a Prefeitura de Marília ainda não providenciou o licenciamento ambiental necessário para implantação do sistema. Os custos para a construção da estação de tratamento de esgoto são os principais obstáculos, opina o gerente. “São três sub-bacias que existem no município e precisam ser tratadas separadamente. A topografia não ajuda. É um sistema muito difícil de ser implantado.”
O secretário executivo do Comitê de Bacias Hidrográficas do Peixe-Iguapeí, que abrange 69 cidades, Fernando Antônio Rodrigues Netto, é mais otimista. Ele acredita que a poluição do rio do Peixe tende a diminuir, quando a cidade de Garça, por exemplo, tiver com 100% do sistema de tratamento funcionando. “Marília joga todo o esgoto no rio sem tratamento, mas existem cidades que estão tratando.”