08 de julho de 2026
Geral

Incêndio destrói mais de 200 alqueires

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 2 min

Um incêndio iniciado na noite de anteontem destruiu mais de 200 alqueires da propriedade em que estão acampados os sem-terra do Grupo Terra Nossa, no município de Pederneiras.

A terra, de propriedade de Luís Carlos Pagani, estava sendo utilizada para rebrota de eucaliptos. A família calcula que o prejuízo foi grande, já que o valor de cada alqueire é estimado em R$ 20 mil.

Na manhã de ontem, uma equipe do Corpo de Bombeiros, com apoio de um caminhão do Departamento de Água e Esgoto (DAE) de Bauru, esteve no local para controlar o fogo. Mais de 9 mil litros de água foram gastos.

No período da tarde, o fogo voltou a alastrar-se pela propriedade. Novamente a equipe de bombeiros esteve no local, mas o incêndio não havia sido controlado até o fechamento desta edição.

Os bombeiros explicam que como a vegetação é rasteira e o tempo está seco, o fogo espalha-se com facilidade.

A família proprietária afirma que o incêndio é criminoso, de autoria do Grupo Terra Nossa. “Estão queimando tudo aqui. Como eles vão sair, querem colocar fogo em tudo”, enfatiza um dos membros da família, que preferiu não ser identificado.

Ele afirma que há mais de 20 anos não era registrado um incêndio no local. “Eles aceraram toda a madeira que estão roubando para não pegar fogo. Eles vieram acerar antes para depois pôr fogo na área inteira”, agrava.

Pedro Roberto da Silva, da coordenação do Grupo Terra Nossa, nega a autoria do incêndio. “Tentamos apagar mas não teve jeito. A gente sabe que é ‘cobra mandada’. Entrou uma Toyota com um trator e mais ou menos seis ou sete peões. Desde ontem (anteontem) à noite eles estão na área. Só pode ter sido eles. São grileiros”, afirma.

Silva acredita que o incêndio é uma forma de pressionar os sem-terra a desocupar a área. Toda a madeira que poderíamos usar está sendo queimada”, argumenta.

O Corpo de Bombeiros não informou se há indícios de incêndio criminoso ou acidental.

Histórico

Os sem-terra chegaram ao Horto Florestal, em Bauru, em janeiro deste ano. De lá para cá, em função de mandados de reintegração de posse e questões de segurança, o acampamento já mudou de lugar por seis vezes. Atualmente, há 240 famílias no local.

Após contestar a última liminar de reintegração de posse do terreno, o Grupo Terra Nossa conseguiu a prorrogação do prazo para cumprir a ordem judicial. Eles devem desocupar a área nos próximos dias.

Os acampados têm esperança de que nos próximos dias o Instituto de Terras do Estado de São Paulo (Itesp) receba da União toda a documentação sobre a área invadida.

Eles afirmam que a área atualmente ocupada pertence ao Horto Florestal Aimorés, que foi destinado à reforma agrária.