O sentido etimológico indica que educar é muito mais que criar, equivalente a formar a personalidade de alguém, melhorando-a ou corrigindo-a expressamente. E a quem compete realizar a educação das pessoas a não ser a família de cada uma, que a deve exercer integralmente para que prepare, por exemplo, qualquer criança, seja física, intelectual ou moralmente, nas dimensões mais harmoniosas possíveis? Isto é particularmente importante nos primeiros anos de vida, ocasião em que acontece um amplo desenvolvimento de diversas peculiariedades no âmago infantil, aí começando a se esboçar o caráter do educando, entrando naturalmente no contexto o encaminhamento sexual como absoluto dever e responsabilidade dos pais, os quais, muitas vezes, nem estão condicionados para a grande missão porque também não foram preparados sexualmente para ela no devido tempo. Por quê e como, conseqüentemente, ensinar aos filhos aquilo que não aprenderam? Logicamente, é necessário que partam logo para o devido aprendizado, pois, tidos como orientadores naturais da infância, não podem deixar de o fazer também, com inexcedível carinho, no que tange à sexualidade, a fim de atender aos laços de afeto que unem pais e filhos, o que torna a comunicação mais explícita no que concerne a esse assunto.
Pertence, portanto, a orientação sexual da meninada aos seus genitores, ainda que o problema se constitua um dos temas que mais angustiam a categoria, principalmente às mães, por caminharem em contato mais íntimo com os garotos e garotas numa idade em que a curiosidade de cada um sobre sexo se manifesta como fenômeno natural. Então, para educar quanto à matéria impõe-se aos adultos procurar acompanhar a evolução mental da meninada, incluindo nela personalidade, mentalidade e sentimentos, tendo por escopo descobrir o que, na verdade, o menor deseja conhecer e o que ele precisa saber. Uma vez plenamente instruídos sobre a questão, os genitores terão condições para esclarecer sem magoar, uma atitude honesta e, sobretudo, singularmente preventiva, sem superlotar a cabeça da criança com fantasias ou insanidades, não obstante esteja o petiz num período naturalmente imaginativo. Conclui-se que, como pregam os médicos especialistas, a educação sexual infantil compete por inteiro aos pais, os quais devem agir e falar com sinceridade, no momento oportuno especialmente, não se mostrando escandalizados com perguntas dos filhos sobre atitudes do gênero e nem, no mesmo pé, confundir orientação sexológica com rasgos de promiscuidade. É a nossa opinião.
O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado.