Os pediatras estão em alerta máximo contra a catapora. Com o final do inverno, os riscos de se contrair a doença aumentam. Segundo a assessoria de imprensa da Secretária de Estado da Saúde, 2.861 casos já foram registrados em 2003, sendo 29 deles na região em Bauru. Dez pessoas já morreram em todo o Estado.
“Durante o ano, a gente praticamente não teve registros de catapora, mas agora os casos estão pipocando. O fim de inverno, começo de primavera, é a época em que ela prolifera mais”, alerta o pediatra Donizetti Troijo.
Ele afirma, porém, que a situação pode ser considerada normal até o momento. “Eu não percebi uma diferença no número de casos em relação ao ano passado, mas pode ser que daqui a 15 dias a conversa seja diferente”, opina.
O pediatra diz que a procura pela vacina que previne a doença é pequena. “Ainda está abaixo da expectativa, mas ela é de uso restrito e não é uma indicação absoluta. Além disso, a criança que teve contato com alguém que teve catapora só vai ficar imune depois de 15 dias da aplicação. Às vezes, a mãe fala que quer aplicar porque o vizinho do prédio está com catapora e a gente até desestimula”, declara.
Segundo ele, os casos de morte em decorrência da catapora ainda são novidade no País. “A doença não chama a atenção pela mortalidade, mas, há 15 anos, os Estados Unidos já tinham estatísticas de 90 mortes por ano e, por isso, forçaram a vacinação. Nós ainda não temos essas estatísticas de mortes e agora é que elas começaram a aparecer”, diz.
Troijo conta que o maior risco é a imunodeficiência do organismo. “O sistema de defesa se arrebenta para conseguir resolver a catapora e fica debilitado. Nessa fase pós-catapora, você pode ter complicações”, revela.
Sintomas
O pediatra lembra que a catapora tem sintomas gerais e outros específicos. “Os principais são febre, dor muscular, falta de apetite e desânimo. Quando ela se instala, a pessoa passa a apresentar vesículas, que são as bolinhas de água que se espalham pelo corpo. Geralmente, elas não têm localização definida e podem dar na pele, na mucosa e na boca”, afirma.
Ele alerta que o contágio pode ser feito de duas maneiras, pela via respiratória ou pela pele, e que o ciclo da doença é, em média, de dez dias. “As lesões aumentam, geralmente, até o quinto dia. Depois, elas começam a secar e levam mais uns quatro ou cinco dias para serem eliminadas. Dependendo da resistência individual, há crianças que com quatro ou cinco dias já estão boas”, declara.
Troijo aconselha os pacientes a tomarem certos cuidados durante o tratamento. “Eles devem evitar o sol para não ficarem com a pele manchada. Também não devem se coçar, pois pode haver uma infecção secundária. Os derivados de acetil salicílico, como a aspirina, são contra-indicados totalmente. O que ajuda é a hidratação, com loções calmantes, e o uso de sabonete antiséptico”, diz.
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