No combate ao furto e roubo de veículos em Bauru, a Delegacia de Investigações Gerais (DIG) e a 5.ª Circunscrição Regional de Trânsito (Ciretran) desencadearam ontem uma megafiscalização. Foram apreendidos 106 veículos que seriam leiloados no próximo sábado. Todos passarão por perícia e só aqueles que estiverem com a documentação legal poderão ser leiloados. A medida preventiva visa impedir que carros sejam “esquentados” com documentação de sinistrados.
A megafiscalização foi desencadeada pela Delegacia Seccional de Bauru em função de apreensões anteriores, segundo o titular da DIG, delegado José Jorge Cardia. “Apreendemos carros adquiridos em leilões anteriores que estavam com documentação de veículos sinistrados.”
A prevenção, de acordo com Cardia, visa não permitir que terceiros de boa fé comprem os veículos com documentação irregular. “Todos os veículos serão vistoriados pela Polícia Técnica. Aqueles que estiverem legais serão leiloados normalmente no próximo sábado.”
Para saber quais os veículos que não estão “viciados”, a 5.ª Ciretran e DIG farão uma pesquisa, diz Cardia. “Os veículos sinistrados não têm direito a documentação. Esses documentos não podem ser reutilizados, têm que passar pela baixa.”
A megafiscaliação contou com o apoio do proprietário do Leilão Renato Silva, Renato Dias da Silva. “Cabe à Polícia Civil, junto com a Ciretran, fiscalizar. Meu trabalho é honesto. Removo carros do Brasil todo, é a maior empresa de leilões do Estado. Nós apoiamos a operação. É uma maneira de acabar com o crime deste tipo.”
O empresário não concorda que veículos que poderiam ser considerados sucatas continuem circulando. “Estou tranqüilo, os bens são das seguradoras e dos bancos. Eu sou só o leiloeiro oficial, sou fiel depositário de todos os bens e a origem dos bens é de responsabilidade das seguradoras.”
____________________
Sinistrados
O titular da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), J.J. Cardia, avisa que veículos sinistrados com perda total não podem voltar a circular. “O procedimento correto da seguradora ou do particular que vende um sinistrado é recortar a numeração do chassi, e com os documentos, dar baixa na Ciretran. A compra é da sucata que só pode ser comercializada como tal.”
Embora a lei diga isso, pessoas mal-intencionadas têm agido de maneira diferente. O esquema consiste no seguinte. Uma pessoa adquire um veículo sinistrado junto com o documento e não dá a baixa. A documentação é usada para “esquentar” um carro furtado ou roubado com características semelhantes.
O terceiro de boa fé adquire o veículo furtado ou roubado com uma documentação “viciada” e passa a circular com o carro, até que seja barrado numa fiscalização, quando o bem é apreendido e a vítima terá que entrar com uma ação regressiva contra o proprietário, que normalmente não é o leiloeiro, e sim uma seguradora.
Cardia lembra que o veículo sinistrado por perda de pequena ou média monta pode voltar a circular desde que passe por vistoria e conste na documentação que ele é remarcado.
Além de fiscalizar a documentação “viciada”, a pesquisa da megaoperação visa também levantar os possíveis débitos que o veículo que vai a leilão possa ter. “Ele pode ter multas junto à Ciretran, que o comprador tem que saber.”
Furtos & roubos
No mês passado, a Delegacia Seccional de Bauru registrou 27 furtos e quatro roubos de veículos, dados fornecidos pelo site da Secretaria de Segurança Pública. No primeiro semestre deste ano, os furtos de veículos somaram 187 e os roubos 33. Vale lembrar que alguns deles foram encontrados posteriormente.