08 de julho de 2026
Bairros

Saúde Coletiva interdita Lanchódromo

Ronaldo Schiavone
| Tempo de leitura: 4 min

O Departamento de Saúde Coletiva (DSC), órgão da Secretaria Municipal da Saúde, interditou ontem pela manhã o Lanchódromo de Bauru. A alegação é de que o local não apresenta condições de higiene e saúde. Os proprietários das barracas têm cinco dias para deixar a área, mas já estão proibidos de trabalhar no local.

A diretora do DSC, Maria Helena Abreu, diz que a operação de interdição, que contou com apoio da Secretaria Municipal de Planejamento (Seplan) e da Polícia Militar (PM), já vinha sendo preparada com antecedência. “As barracas de lanche já estão irregulares há muito tempo e não tinham a mínima condição de higiene. Nenhuma delas tinha o alvará sanitário em função da falta de estrutura física mínima”, explica.

Ela conta que a decisão final de se interditar o Lanchódromo foi deliberada após uma análise feita na última semana. “Fizemos uma vistoria documentada em conjunto com a Seplan para comprovar a necessidade da ação que tomamos hoje (ontem)”, afirma.

Maria Helena enumera a lista de irregularidades encontradas no local. “Os banheiros estavam extremamente deteriorados, existia esgoto vazando a céu aberto no meio das barracas, elas tinham sujeira depositada e havia despreparo total dos manipuladores dos alimentos”, revela.

Segundo ela, os donos das barracas estão conscientes de que não podem comercializar mais nenhum produto no Lanchódromo. “Se eles, por acaso, voltarem a funcionar, será um caso de polícia. Acionaremos a PM e os comerciantes responderão judicialmente”, diz.

Decadência

Inaugurado em 1991, o Lanchódromo chegou a ter 26 barracas, todas funcionando. Nos últimos meses, porém, eram cerca de dez. A engenheira da Seplan Tânia Kamimura Maceri revela que a maioria não tinha autorização para trabalhar. “São apenas quatro pessoas que efetivamente freqüentam o local e são permissionários”, diz.

Ela afirma que os demais proprietários de barracas tiveram a licença cassada. “Eles arrendaram o lugar ou não ficavam lá, colocando uma pessoa para tomar conta. Há direito a recurso, mas existe uma lei que prevê a hipótese da cassação quando se atinge um número de faltas estipulado”, declara.

Tânia conta que os quatro permissionários que mantiveram a autorização de funcionamento poderão escolher outro ponto da cidade para trabalhar. “Já demos opções a eles. Alguns solicitaram a transferência, mas querem um tempo para ver se o novo ponto funciona. Eles devem ir para as áreas mais próximas ao anfiteatro Vitória Régia”, revela.

Ela lembra, porém, que eles não poderão utilizar a mesma barraca do Lanchódromo. “Eles trabalharão com outro equipamento, que tenha mobilidade e condição sanitária bem definida. A condição estrutural atual não permite isso”, opina.

A engenheira diz ainda que a volta dos permissionários ao Lanchódromo não está descartada. “Eles têm tradição e estão lá há anos, mas não fechamos nenhum compromisso neste aspecto”, diz.

Segundo ela, uma reforma imediata do local está descartada. “Seria inviável, pois não temos orçamento. Depois, quem sabe, possa haver uma parceria com a iniciativa privada. Se isso for viabilizado, no futuro, há a possibilidade deles estarem retornando com equipamento adequado”, declara.

Tânia revela que, enquanto o dinheiro para uma reforma mais ampla não vem, o terreno será desocupado. “Há muito resto de material e piso, pois já tivemos muitas barracas abandonadas e retiradas. Ficaram as instalações hidraúlicas e isso tudo tem que ser retirado. No momento em que tudo isso ocorrer, a idéia é jogar brita e limpar o local”, afirma.

O capitão Benedito Roberto Meira, comandante da 1ª Companhia da PM, afirma que o fechamento do Lanchódromo ajuda a diminuir o número de ocorrências naquela área. “É um local que dava muitos problemas. A interdição era uma reivindicação antiga dos moradores da região do Conseg (Conselho de Segurança) Centro-Sul.”

____________________

Desmanche

No final da tarde de ontem, o cenário no Lanchódromo era de desolação. Proprietários e funcionários trabalhavam para desmontar algumas das poucas barracas que restam no local. Procurados pela reportagem, nenhum deles quis comentar a decisão do Departamento de Saúde Coletiva (DSC).

O único a se pronunciar foi Hermínio Vieira Filho, que se intitula faxineiro do Lanchódromo. Ele diz estar revoltado com a notícia. “Estou muito triste. Isso aqui era o ganha-pão de muita gente. É um local que merecia ser melhor cuidado”, afirma.

Em cada barraca, um aviso do DSC mostrava a ordem de interdição. Nenhuma delas estava comercializando produtos.