Se você acha que pescar no Pantanal mato-grossense é sempre a mesma coisa, está enganado. Essa foi a principal lição que aprendi este mês ao participar, pelo segundo ano consecutivo, de uma pescaria promovida pela General Motors do Brasil a um grupo de jornalistas da imprensa automotiva especializada do País.
No ano passado, tive o privilégio de ser convidado pela primeira vez para tal evento, que marcou minha “estréia” como pescador em uma experiência contada neste mesmo caderno do JC.
Naquela época, em abril de 2002 e em plena cheia do rio Paraguai, lembro-me que os fatos que mais me surpreenderam no Pantanal foram o calor insuportável, a belíssima diversidade da fauna e flora, a ausência de pernilongos e, é claro, a meia dúzia de peixes que consegui fisgar.
Tal cenário era o que eu esperava encontrar na edição deste ano da pescaria, marcada para agosto, mês em que as águas do mesmo rio Paraguai já estariam mais baixas. Isso porque já me achava quase um “pantaneiro” após meu “avant-premiére” na arte, um engano que me custaria muito caro e me castigaria mais tarde.
Logo de cara, ao chegar ao porto de Corumbá - cidade de partida para a aventura pantaneira -, notei que o clima estava mais ameno, bem diferente do calor úmido e abafado que “assou” todos no ano passado. Até uma leve brisa dava o “ar da graça” perto da embarcação alugada pela General Motors especialmente para o evento: o belo iate Kalypso.
Após navegarmos a noite inteira, aportamos em uma barranca do rio. Conforme combinado com meu companheiro de pescaria, o também jornalista Cláudio Leyria (Jornal Vale Paraibano), acordamos às 7h, pegamos as tralhas (varas, anzóis, linha e chumbadas reserva, protetor solar, chapéu, repelente e, principalmente, a licença de pesca) e saímos em busca dos peixes em um pequeno bote.
Mas, ao chegar no primeiro ponto de pesca, literalmente senti na pele que aquela pescaria seria diferente da anterior no Pantanal. Isso porque, ao pararmos o bote em um aguapé, uma “nuvem” de pernilongos começou a nos atacar e, por isso, descobri que havia cometido meu maior erro, do qual me arrependeria amargamente: com a lembrança da ausência de mosquitos do ano passado, fui pescar de bermuda e chinelo.
Rapidamente, lambuzei sem dó meus pés e pernas com um repelente cremoso na esperança de afugentá-los. Mas a “fome” por sangue dos pernilongos, que em razão das águas estarem mais baixas proliferaram-se aos montes, era maior que o odor proporcionado pela loção. Por isso, apesar de não se afastarem do bote, continuei pescando normalmente, pois acreditava que estaria protegido.
Uma doce ilusão, que à noite me revelou o tamanho da besteira que havia cometido: somente nas pernas e pés calculo ter recebido cerca de 200 picadas, que na manhã seguinte incharam-se e provocaram uma coceira terrível, com a qual tive de conviver por cerca de 15 dias e gastar quase R$ 50,00 em pomadas e medicamentos antialérgicos para curá-la.
Por isso, se você quiser aventurar-se nas águas pantaneiras, lembre-se desta regra: mesmo se estiver quente, cubra seu corpo com uma camisa de manga longa, boné, calça de moletom, meia e tênis. Tenha certeza que é melhor sofrer um pouco com o calor do que ser alvo dos famintos pernilongos. E nunca confie apenas no repelente, pois apesar de ser útil, não faz milagres.
Em compensação, voltei para casa com uma quantidade e variedade bem maior de peixes fisgados em relação ao ano passado. Foram 11 quilos distribuídos em uma piraputanga, vários palmitos, uma jiripoca - que eu pensava ser nome apenas de pássaro -, e, como não podia faltar, três piranhas.
Tal resultado só confirma o que falei no início desta reportagem. Toda e qualquer pescaria no Pantanal é, e sempre será, diferente da anterior. É um local único no mundo, com uma magia e beleza natural indescritíveis. Por isso, preserve-o, respeite-o e nunca o subestime quando for dar um “banho na minhoca” por lá.
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Natureza encantadora
Entretanto, se há algo em que, felizmente, o Pantanal continua o mesmo é na sua beleza. Este foi outro ponto que me surpreendeu em relação à pescaria do ano passado, pois as águas mais baixas também favorecem o aparecimento de mais espécimes da riquíssima diversidade biológica do local.
Desta forma, por onde andei consegui visualizar inúmeros animais, desde maritacas, martins-pescadores, araras e garças até jacarés, ariranhas e a ave-símbolo do Pantanal: o tuiuiú. Isso sem contar na quantidade enorme de sons emitidos pelos pássaros e, principalmente, pelos macacos bugis empoleirados nas árvores.
E, como se isso não bastasse, tive mais uma vez a chance de ver belos espetáculos proporcionados pela natureza, como o pôr-do-sol retratado de forma magistral pela lente do talentoso e competente fotógrafo Pedro Dantas, encarregado pela General Motors de cobrir a pescaria, e o céu à noite recheado de estrelas.