Uma mulher de 91 anos, que mora há mais de 30 anos na Vila Universitária, foi vítima de roubo e de provável atentado violento ao pudor, na madrugada de ontem. Ela foi encontrada desacordada por vizinhos, que pediram autorização à polícia para entrar na casa dela. Há indícios de que ela tenha sido estuprada, mas até o fechamento dessa edição a informação não havia sido confirmada. A possibilidade de que ela tenha sofrido um mal súbito também não foi descartada.
Pelo menos outros dois casos de violência envolvendo idosos foram registrados neste ano, conforme aponta levantamento feito pelo Jornal da Cidade.
A vítima de ontem, que tem amizade com os moradores do bairro e mora numa casa modesta, foi socorrida pelo Corpo de Bombeiros e encaminhada ao Pronto-Socorro Central, de onde foi transferida para a Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) do Hospital de Base (HB) e parmanece em coma. Até ontem à noite, ela permanecia em estado grave.
Tanto a polícia Civil quanto a Militar preferiram não divulgar a ocorrência para não atrapalhar as investigações. A iniciativa manteve contraditória as informações sobre a natureza das agressões.
“Chegamos a perguntar para a família se a idosa tomava medicamento. Ela parecia estar num sono profundo. Dava a impressão de que ela havia tomado alguma coisa”, relatou o sargento do Corpo de Bombeiros, Carlos Alberto Pereira, que prestou os primeiros atendimentos.
De acordo com ele, a vítima foi encontrada sobre a cama dela, coberta com um cobertor, usando uma blusa colocada do lado contrário e apenas uma roupa íntima.
“A casa estava revirada, com bitucas de cigarro espalhadas pelo chão. Alguém deve ter passado por lá, até porque a família percebeu que alguns objetos sumiram”, contou o sargento.
Constatação idêntica tiveram os vizinhos, que deram falta do televisor, do telefone e de algumas panelas da idosa. Todos eles garantem que não perceberam movimentação estranha em frente à casa dela nem ouviram barulhos diferentes durante a madrugada. Só um deles alega ter ouvido a vítima chamar pelo gato, por volta das 2h da madrugada.
Rotina
“Hoje (ontem) pela manhã, uma amiga dela me ligou porque estava tentando ligar para ela e ninguém atendia. A pedido da irmã, todos os dias, eu acompanho a rotina da casa e justamente hoje estava tudo fechado. Ela tem o hábito de levantar cedo, por volta das 6h, e varrer a frente da casa”, detalhou um dos moradores próximos.
Por considerar a situação suspeita, ele fez contato com a polícia pedindo autorização para entrar na casa. Um outro vizinho pulou o muro e, através da janela, a avistou sobre a cama. A Polícia Militar e o Corpo de Bombeiros foram acionados.
“Aparentemente, ela não estava machucada, mas eu a chamava e ela não respondia. Sou vizinha dela há 23 anos. Estou chocada”, declarou uma das moradoras. Uma outra relata que até o entregador do gás, que a conhecia, quando soube do acontecido, não segurou as lágrimas. “Ela é doce demais. Tem o hábito de conversar com todo mundo”, acrescentou uma terceira moradora.
A simpatia pouco seletiva da vítima contrariava a recomendação dos parentes. Um cunhado dela garantiu que a idosa era orientada sobre os cuidados que deveria tomar por morar sozinha e numa residência de aparência frágil.
“Quando ela sair do hospital, ficará em casa. Ela mora num local tão modesto que era difícil imaginar que pudesse ser alvo de roubo. Levaram muito do pouco que ela tinha (não especificou o quê). Esse tipo de ocorrência não é mais novidade, mas quando a coisa se volta para a gente é que temos a dimensão do problema. Estou revoltado. A preocupação agora é salvar a amiga, mãe e pessoa maravilhosa que ela é”, concluiu.
A esposa dele visitava a irmã diariamente e preparava suas refeições. Informações da vizinhança dão conta que a vítima já tinha sinais de esclerose, mas que não admitia a possibilidade de deixar a residência. Todos os nomes foram preservados para evitar a identificação e constrangimento da vítima.
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Terceiro caso
Não é a primeira vez que um idoso é vítima de violência em Bauru neste ano. Levantamento feito pelo JC indica que pelo menos outros dois casos foram registrados em 2003.
O último ocorreu no início de fevereiro, quando um aposentado foi esfaqueado e morto por dois ladrões que invadiram sua residência no Parque Primavera. A esposa e o cunhado do servidor aposentado Jorge Francisco Leal, 63 anos, também foram feridos. Os ladrões fugiram levando R$ 80,00 da aposentadoria do cunhado da vítima e algumas bijuterias.
Em janeiro, a polícia ainda registrou outro caso de latrocínio (roubo seguido de morte). Julia Marcelino de Oliveira, 80 anos, morreu no Hospital de Base (HB) após ser roubada e espancada na Vila Falcão. Os ladrões levaram bens e cerca de R$ 400,00 em dinheiro.