Tristeza. Esta é uma das palavras que pode definir o que estão sentindo os profissionais e pesquisadores que trabalham no Jardim Botânico e no Zoológico Municipal de Bauru. Na terça-feira, um incêndio consumiu cerca de 40 hectares da Área de Preservação Ambiental (APA) Vargem Limpa - Campo Novo, que inclui o Jardim Botânico, o zôo e mais cerca de 900 hectares de cerrado preservado. Este pode ter sido o maior acidente ecológico ocorrido nesta região, e a recuperação da área pode ultrapassar 20 anos.
Os 400 mil metros quadrados que foram destruídos pelo fogo representam mais de 3,2% da APA, que inclui os 320 hectares do Jardim Botânico mais áreas de preservação da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e do Hospital Lauro de Souza Lima. De acordo com o diretor do Jardim Botânico, Luiz Carlos de Almeida Neto, é difícil avaliar as espécies de plantas e animais que foram perdidas com o incêndio. “Nessa área, havia área natural de cerrado, floresta, mata, mata ciliar. É difícil estipular as espécies existentes ali, mas foi tudo perdido”, afirma.
Almeida conta que também havia ali diversos experimentos que vinham sendo realizados há anos. “Ainda tínhamos experimentos de recuperação de área degradada, de regeneração natural. Era uma área com experimentos com dois anos, dez anos de estudo. São várias situações que foram perdidas”, lamenta.
O Corpo de Bombeiros ainda não concluiu as investigações da perícia sobre o incêndio, mas Almeida acredita que ele teve início na área da reserva da Unesp. O diretor explica que o foco do incêncio parece ter ocorrido em uma área restrita. “É um local que não é aberto à visitação. Mas nessa região, há muitas trilhas e não temos controle de quem entra. Provavelmente alguém colocou fogo, mas é difícil apontar se foi criminoso”, diz Almeida.
Ele conta que o vento forte na terça-feira à tarde, o que ajudou a alastrar o fogo para vários locais. Foi necessária a formação de várias frentes para tentar combater o incêndio, que só foi controlado cerca de cinco horas depois de seu início. Além da brigada de incêndio do Jardim Botânico, também auxiliaram as brigadas da Prefeitura Municipal e do Departamento de Água e Esgoto (DAE), funcionários do Jardim Botânico e do zôo, além dos bombeiros. “Foi a somatória dos esforços de todos que possibilitou controlar o fogo”, declara o diretor.
A recuperação da área destruída deve levar anos ou até décadas. Uma estimativa do secretário do Meio Ambiente, Luiz Pires, apontou que seriam necessários cerca de 20 anos para que os danos à vegetação fossem sanados. Almeida diz que é impossível prever as consequências de um acidente dessas proporções. “Tivemos grandes incêndios aqui em outubro de 1994 e em 1999, mas acreditamos que este tenha sido o maior de todos”, afirma.
A recuperação, segundo ele, vai depender da intervenção dos pesquisadores e funcionários na área e da recuperação natural do cerrado. “Devemos priorizar as nascentes e cursos d’água. Temos de fazer uma análise de toda a área para priorizar algumas ações”, indica.
Almeida lembra que as áreas destinadas ao público e à educação ambiental, como as trilhas e o parquinho, não foram afetadas. O Jardim Botânico também possui o orquidário, que está em sua fase mais bonita e florida neste mês. “As pessoas podem conhecer e comparar a beleza das orquídeas com a destruição das cinzas do incêndio”, diz Almeida.
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