09 de julho de 2026
Regional

Exposição leva espetáculo de cores a Jaú

Michelle Roxo
| Tempo de leitura: 4 min

Jaú - Orquídeas de várias espécies e cores podem ser adquiridas, ou simplesmente admiradas, pelo público que comparecer na exposição nacional realizada neste final de semana no Aero Clube de Jaú (47 quilômetros a Leste de Bauru).

O evento, que chega à nona edição, foi aberto oficialmente ontem à noite, e conta com cerca de 30 colecionadores de diversas regiões do país.

Somente no setor de exposição, são cerca de dois mil vasos. Além disso, o espaço conta com bancas de seis comerciantes, onde poderão ser encontradas mudas ao preço de R$ 5,00 e plantas floridas por R$ 10,00.

Na opinião do organizador do evento, Paulo Ivo Filho, a variedade de formas, cores, tamanhos e aromas, deve atrair a atenção do público mais diverso. Diversidade, aliás, é uma palavra que combina muito bem com essa planta. Somente no Brasil, são cerca de 3 mil espécies. “É uma categoria de planta que tem uma variedade muito grande então por causa dessa variedade você nunca vai ter duas iguais”, explica.

Segundo os cultivadores, conhecidos como orquidófilos, a orquídea pode ser encontrada em vários países do mundo, até em regiões semi-desérticas. Entretanto o clima quente e úmido é o mais favorável, o que faz do Brasil um local privilegiado para o desenvolvimento das mais diversas espécies. Algumas delas, alerta os colecionadores, ainda nem foram classificadas.

Tratamento

O tratamento dessa planta, que ano a ano vem atraindo legiões de colecionadores, é considerado relativamente fácil pelos especialistas. A orquídea precisa de calor, umidade e sol. “Mas não sol exposto. Ela deve ficar embaixo de uma tela onde passe 50% de sol”, explica o expositor Roberto Fozetto. Além disso, segundo ele, a planta não gosta de vento constante e deve ser regada em média duas vezes na semana. “Não pode manter a planta encharcada. Por isso, o vaso deve ser furado”, orienta.

Essas recomendações, em geral, valem para as orquídeas epífitas, cujo habitat natural são as árvores. O tratamento varia para as espécies terrestres e rupículas (que nascem em pedras), menos populares no Brasil.

Para os orquidófilos iniciantes, profissionais da área vão oferecer neste domingo, durante o período da manhã, um curso gratuito sobre o cultivo de orquídeas. “Inclusive se a pessoa tiver alguma planta com problema e doente, ela pode trazer para ser avaliada”, afirma o organizador.

• Seviço

A 9.ª Exposição de Orquídeas está sendo realizada no Aero Clube de Jaú, no centro da cidade. Horário de visitação: sábado, das 8h às 22h, e domingo, das 8h às 18h.

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Paixão move colecionadores

Colecionar orquídeas é uma espécie de devoção para esses colecionadores que se encontram todos os anos em várias exposições nacionais. Roberto Fozetto, 63 anos, é um exemplo. Ele começou a colecionar as espécies há cerca de 40 anos, por influência do avô, que também era dedicado ao hobby.

Em sua residência, na cidade de Jundiaí, estão alojadas aproximadamente 800 plantas. “É uma paixão, sempre foi”, confessa.

Ciumento, Fozetto não comercializa suas “preciosidades”, apenas empresta a beleza das orquídeas aos olhos do público. Além disso, vende revistas, livros e fitas especializadas sobre o tema.

O expositor de Taubaté, Oscar Sachs, 62 anos, é outro apaixonado confesso. Ele, que está expondo no evento de Jaú cerca de 20 plantas de sua coleção particular, é editor de uma revista especializada, chamada “Brasil Orquídeas”.

A publicação pode ser encontrada nas bancas e traz orientações de como tratar a planta, dicas de cultivo e farta sessão de fotografias.

Segundo ele, somente no Brasil, são cerca de 20 mil colecionadores, que disputam as espécies mais belas e raras. Uma delas é a catthleya walkeriana feiticeira, que chega a valer cerca de R$ 1 mil. “Eu gostaria de ter, mas não tenho”, afirma. “Colecionador é sempre um egoísta. Ele quer ter para ele as coisas mais bonitas”, aponta.

E a concorrência nesse terreno é bastante acirrada. Segundo o expositor, o fã clube dessa planta é tão grande que somente no Estado de São Paulo são cerca de 100 sociedades especializadas que se dedicam às orquídeas. “Outras plantas não tem isso. Tem alguma coisa que está começando com as bromélias, mas como a orquídea não. Orquídea tem um fascínio”, define.

Uma curiosidade não esclarecida pelos expositores é que cerca de 95% dos colecionadores de orquídeas são do sexo masculino. “As mulheres gostam muito de samambaia”, brinca Sachs.