Não tem jeito: quando a temperatura cai e a água do chuveiro sai mais quente, aquela velha conhecida volta a surgir com intensidade e cheia de vontade de aparecer. A caspa é um fenômeno que se manifesta com mais vigor no inverno, deixando as roupas cheias daqueles pontinhos brancos incômodos.
O dermatologista Wagner José Monteiro Cardoso explica o que ocorre: “A água quente dilata os vasos, facilitando o trabalho das glândulas sebáceas, o que aumenta a oleosidade do cabelo. Com isso, as caspas ficam mais evidentes”.
A caspa é um problema da glândula sebácea, que produz sebo. Em excesso, ele forma o ecsema seborréico, que são as crostas. Há dois tipos de problemas: a seborréia, que é a casquinha branca que polui o visual; e a dermatite seborréica, que são as placas vermelhas com casquinhas.
A causa do problema ainda é desconhecida, segundo o dermatologista. O que se sabe é que, se o pai ou a mãe tem, o filho tem tendência a desenvolver o problema. Ela também pode estar associada a fatores emocionais e disfunção hormonal.
Mas, uma coisa é certa: não é contagiosa. “Não pega e não passa”, afirma Cardoso.
A terapeuta capilar Raquel Luzia Cálice Marques Lontra, que trabalha em uma clínica especializada em tratamento de cabelo, diz que a procura aumenta consideravelmente nessa época do ano. “As mulheres são as que mais se preocupam com isso. Mas, os homens também têm buscado tratamento”, salienta.
Vergonha
Apesar de não ser um sinal de falta de higiene ou de desleixo, muitas pessoas que têm caspa se sentem constrangidas pela visibilidade do problema. As casquinhas brancas ou avermelhadas aparecem na roupa e entre os fios de cabelo, evidenciando que algo está errado com o couro cabeludo.
Por conta disso, é complicado encontrar alguém para falar sobre o assunto. A autônoma Maria aceitou dar entrevista, desde que o nome dela fosse trocado.
Ela enfrenta o problema desde criança e, hoje, aos 28 anos, desistiu de tratar. “Experimentei tudo o que me indicaram, fiz tratamento médico e não consegui resolver. Agora, cansei”, frisa.
Ela conta que a caspa dela não é do tipo seca, que deixa as roupas brancas. É uma espécie de casca de ferida, que fica grudada no couro cabeludo e só sai quando ela passa o pente. “Mesmo assim, incomoda, pois coça bastante”, conta.
Tratamento
Quem está no estágio inicial do problema, ou seja, tem apenas uma seborreia leve, deve usar os xampus específicos para caspa.
O dermatologista destaca que o ideal é seguir orientação médica, ao invés de usar os produtos comerciais por conta própria. “Os melhores são os feitos à base de ácido salicílico e zinco”, diz.
Ele salienta que o segredo é diminuir gradativamente o uso do produto, quando notar que a caspa está regredindo. “A caspa tem uma coisa chamada fenômeno de rebote. Não pode parar de uma vez, porque ela acaba voltando mesmo”, diz.
Se o xampu não adiantar, será preciso entrar com o corticóide, que é uma substância mais forte.
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Você sabia?
• Cerca de 50% dos brasileiros têm caspa pelo menos uma vez por ano.
• Sua incidência é maior durante o inverno e entre os 20 e os 50 anos de idade.
• Para prevenir o problema, é importante manter uma alimentação equilibrada e higiene regular dos cabelos.
• A caspa tem cura. É importante consultar um dermatologista regularmente para fazer um tratamento e controlar o problema.
• Dependendo do caso, é recomendado tomar medicação de uso oral.
• Passar limão no couro cabeludo não resolve o problema. É folclore.
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