O proprietário de uma casa de alto padrão localizada num bairro periférico geralmente tem dificuldades na hora de vendê-la. É o que afirma o presidente da Associação das Administradoras e Corretoras de Imóveis de Bauru (Aciba), José Martinho Teixeira da Silva.
“Só é bom negócio construir uma casa grande para quem quer ficar no bairro. Em caso de venda, normalmente perde-se dinheiro. O máximo que se consegue é empatar”, afirma.
A casa pode ser boa, mas ela facilmente fica “encalhada” quando a localização não é a ideal. “A pessoa faz uma casa muito grande e gasta um dinheiro que dificilmente vai recuperar”, expõe Martinho.
O corretor explica que o metro quadrado de um terreno no Jardim Vânia Maria, por exemplo, custa cerca de R$ 40,00. Nos Altos da Cidade (fora de corredor comercial), o preço sobe para R$ 200,00.
Isso significa que com o valor de uma casa média dos Altos da Cidade é possível adquirir um imóvel muito maior no Vânia Maria.
“As pessoas fazem casas boas sem pensar num futuro em que elas poderão precisar vendê-las. No momento, elas pensam em curtir a vida hoje com os amigos e parentes que moram no mesmo bairro”, observa Martinho.
Na opinião do corretor, quem constrói casas desse tipo são pessoas radicadas no bairro. Ele afirma que isso acontece muito em locais como Jardim Bela Vista, Vila Falcão e Parque Vista Alegre, por exemplo. “As pessoas fazem verdadeiras mansões desproporcionais ao bairro”, enfatiza.
“São pessoas que nasceram lá, foram criadas lá, conheceram a namorada e casaram com alguém que também é de lá. Por tradição, dificilmente elas saem desses bairros e não trocam, por exemplo, a Vila Falcão pelos Altos da Cidade”, observa.
“São aqueles casos em que a mãe conhece o dono da padaria, o dono do bar conhece os filhos etc. É uma característica de Interior mesmo”, acrescenta o presidente da Aciba.
Para Martinho, há dois aspectos fortes que podem motivar uma família de bom poder aquisitivo a morar num bairro afastado do Centro: tradição ou pessoas que vêm de fora.
“Muita gente que opta por construir ou alugar uma casa boa em bairro afastado é de fora da cidade. Eles não conhecem a cidade e se entusiasmam com o tamanho da casa. Uma pessoa radicada em Bauru prefere comprar no Jardim América, por exemplo”, avalia.
Martinho apelida tais imóveis de “vidraças” porque chamam a atenção dos marginais. “Se tiver uma casa simples ao lado de uma mansão, o ladrão vai assaltar essa última porque ela chama a atenção e destoa entre as demais”, calcula o corretor de imóveis.
Martinho acredita que as diferenças de poder aquisitivo podem interferir no convívio social. “Se a condição financeira dele é melhor que a do vizinho, o carro dele é melhor, os filhos se vestem melhor, a escola é melhor. Dá uma diferença de assunto, de conversa”, imagina.