10 de julho de 2026
Economia & Negócios

Centro 'respira' com novas fachadas

Gabriel Garcia
| Tempo de leitura: 4 min

A área central de Bauru já começa a respirar aliviada com a reformulação das fachadas dos prédios. Na quadra 1 do Calçadão da Batista de Carvalho, por exemplo, quase todas as lojas já eliminaram os caixotes e luminosos que avançavam sobre a rua e o colorido harmonioso das fachadas está se “alastrando” para outras quadras.

Os empresários e proprietários de imóveis do Centro da cidade receberão incentivos fiscais para reformular as fachadas e adequá-las às normas da Secretaria Municipal de Planejamento (Seplan). O custo das obras será descontado do valor do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) dos exercícios de 2003 e 2004, na forma de até 50% de dedução por ano.

Desde janeiro, quando a lei foi promulgada, a Seplan disponibilizou R$ 400 mil em renúncia fiscal - metade para cada ano. A partir de 2005, a adequação das fachadas será obrigatória, porém, sem direito ao benefício. Até agora, pouco mais de 100 imóveis foram inscritos.

De acordo com a titular da Seplan, Maria Helena Rigitano, ainda há verba disponível. “A gente fez uma estimativa desse valor sem saber direito qual seria a adesão. Mas está dentro das expectativas, sim”, diz. E observa: “Agora, está começando a aparecer mais gente perguntando se ainda dá tempo de obter o benefício. Dá tempo.”

Para o empresário Marcos Rigoni, proprietário de uma loja na quadra 1 do Calçadão, os gastos médios dos comerciantes estão excedendo o benefício, mas o resultado final é compensador. “Só estamos recebendo elogios. Desde o começo, a gente sabia que havia necessidade de ser feito algo, porque o que a gente tinha era muito feio, muito antigo”, afirma.

Rigoni conta que investiu cerca de R$ 3.700,00 na reforma da fachada, e vai receber ao redor de R$ 2 mil em benefício fiscal. Segundo ele, os empresários estão se conscientizando da importância de “limpar” o visual do Calçadão e das transversais. “Hoje, aqui na quadra 1, já tem cerca de 15 lojas (sendo reformuladas). Algumas já terminaram e outras estão em processo quase final”, diz.

Para Maria Helena, a parte principal do projeto está sendo cumprida: a retirada dos caixotes e luminosos que avançavam em direção às calçadas. “Tenho gostado muito do que estou vendo”, diz.

O empresário Gérson Luiz da Silva, também instalado na quadra 1, diz que investiu - junto com o vizinho - cerca de R$ 2.200,00 na reforma. “Todo mundo teve de desembolsar um pouco mais de dinheiro, mas valeu a pena”, afirma. E completa: “Achei que ficou excelente, tanto a minha loja quanto as vizinhas”.

Cores

A arquiteta Priscila Ananian, responsável por 46 projetos de reformulação na área central, explica que, além da adequação à lei, muitos empresários estão investindo em novas cores para as fachadas - longe do branco tradicional. “Mesmo sendo cores diferentes, houve uma harmonia”, diz.

Segundo ela, além da questão estética, a extinção dos caixotes no Centro da cidade era uma necessidade do ponto de vista da segurança e da higiene. “Em muitas lojas que têm dois pavimentos, aqueles caixotes viravam um depósito de lixo”, declara.

Para o professor de arquitetura Nilson Ghirardello, presidente do Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Bauru (Codepac), a “limpeza” das fachadas ajuda a evidenciar cada uma delas - ao contrário do que ocorria antes. “A gente tem visto na Batista e transversais que as ruas estão mais limpas. Não fica mais aquela briga de fachadas e luminosos, que acaba em uma poluição visual tão grande que as pessoas passam a não prestar atenção mais em nenhuma”, diz.

Segundo ele, a reformulação visual dos prédios, aliada a uma política de conservação do patrimônio , poderão, no futuro, tornar a área central um local de convivência e moradia fora do período comercial. “Se a moradia voltar às áreas centrais, elas passam a ter vida em outros momentos do dia, e não só até as 18h, quando fecham as lojas”, observa Ghirardello.

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Patrimônio tombado

A Prefeitura Municipal decretou o tombamento do antigo Palacete Pagani, hoje loja Pelicano, na esquina da rua Virgílio Malta com o Calçadão da Batista de Carvalho. O prédio, construído em 1932, recebeu o chamado “tombamento de fachada”.

“Existe a possibilidade de modificações internas, desde que ouvido o Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Bauru (Codepac)”, explica o presidente do órgão, arquiteto Nílson Ghirardello.

Segundo ele, a fachada do prédio enquadra-se num estilo conhecido por “ecletismo tardio”, caracterizado pela mistura de elementos de diversos períodos e pelo rebuscamento até excessivo das formas - na época, acredita-se que era um edifício muito nobre.

“O prédio se baseia numa tipologia muito comum das cidades brasileiras, que é um edifício comercial de esquina, onde embaixo tem o uso comercial e, em cima, tem a moradia dos proprietários”, diz Ghirardello. E acrescenta: “É um dos edifícios mais característicos do Centro da cidade.”

Segundo ele, há mais de 30 edifícios da área central passíveis de tombamento.