08 de julho de 2026
Regional

Lençóis Pta. cura 80% de tuberculose

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 2 min

Lençóis Paulista - O município de Lençóis Paulista (40 quilômetros a Sudeste de Bauru) recebeu menção honrosa da Secretaria de Saúde do Estado por atingir mais de 80% de cura no tratamento da tuberculose em 2002. Dos 645 municípios paulistas, Lençóis ficou entre os dez que chegaram a essa porcentagem.

É a segunda vez consecutiva que a cidade atinge esse índice. A menção honrosa foi recebida pela coordenadora de Saúde Coletiva do Município, a médica Cristina Consolmagno Baptistella, na semana passada, em São Paulo, durante o Fórum de Tuberculose.

“Na verdade, essa menção pertence a toda equipe de Vigilância Epidemiológica de Lençóis, que assiste aos pacientes”, destacou a médica. Segundo ela, de 16 pacientes tratados no ano passado, 13 foram curados (81,25%) e três morreram.

As vítimas, segundo a médica, foram pessoas com mais de 80 anos, que além da tuberculose apresentavam também problemas cardíacos e de hipertensão. Não houve nenhum caso de abandono de tratamento, segundo informou a coordenadora.

Na opinião dela, o tratamento supervisionado, feito pela equipe de Vigilância Epidemiológica, é o principal responsável por mais de 80% de cura da doença em Lençóis Paulista.

Todos os pacientes começam o tratamento comparecendo à unidade de saúde três vezes por semana, durante os dois primeiros meses. Nos quatro meses restantes, as visitas ao posto diminuem para duas vezes por semana.

“Com isso, é possível acompanhar de perto a evolução do tratamento e ajuda a diminuir a taxa de abandono”, alegou Cristina. Segundo ela, se o paciente não retorna ao posto a equipe da vigilância vai até a casa dele. O objetivo é evitar a interrupção do tratamento.

A médica explicou que o primeiro problema da tuberculose é conseguir fazer o diagnóstico, já que o exame que constata a doença é a baciloscopia, ou seja, a coleta de escarro.

Apesar de ser um exame simples existe bastante resistência dos pacientes. Cristina revela que muitas pessoas se sentem constrangidas no momento de eliminar o catarro para o exame. A resistência maior, segundo ela, é oferecida principalmente por jovens e mulheres.

A baciloscopia é recomendada para pessoas que têm tosse seguida por três semanas. Quando a doença é detectada, ela passa a ser tratada à base de antibióticos, durante seis meses. A medicação, segundo informou a médica, só está disponível no sistema público de saúde, não sendo possível adquiri-la em farmácias.

O tratamento pode ser feito na Unidade de Saúde onde o paciente vai tomar a medicação, ou ainda nos locais onde há programas de saúde da família. Ele é totalmente gratuito.

A doença, segundo Cristina, é altamente contagiosa e qualquer pessoa pode ser atingida. O bacilo é transmitido pela fala, espirro e, principalmente, pela tosse. Os primeiros sintomas só são sentidos dentro de um ou dois meses após a infecção, segundo informações da Fundação Nacional da Saúde (Funasa).

Atualmente, no Brasil, o índice de cura no tratamento de tuberculose é de 72,3%. A meta é atingir pelo menos 80% até o ano de 2005.