As doenças cardíacas do aparelho circulatório matam mais que acidentes de trânsito, homicídios provocados por armas de fogo, câncer ou aids. Das 2.107 mortes registradas em Bauru no ano passado, 750 foram decorrentes de problemas como infarto ou derrame (acidente vascular cerebral), ou seja, 35% dos óbitos.
O ataque cardíaco é o campeão em vítimas, mas não só no município. De acordo com a Fundação Interamericana do Coração, no Brasil, uma pessoa morre a cada minuto por ataque cardíaco maciço.
Os números de Bauru, levantados pelo Departamento de Saúde Coletiva da Secretaria Municipal de Saúde, ainda indicam que o câncer (neoplasias) e as doenças do aparelho respiratório despontam em segundo e terceiro lugares, respectivamente.
De tumores, 281 pessoas perderam a vida e 278 morrerem em função de doenças respiratórias. Juntas, eles não chegam ao índice das mortes provocadas pelo coração.
Segundo o cardiologista e presidente da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo, regional Bauru, André Saab, as doenças cardiovasculares que mais matam são (nessa ordem): infarto, angina, parada cardíaca, aneurisma e derrames.
“O acúmulo de gordura nas artérias pode ocorrer no corpo todo, mas o coração e a cabeça são os órgão que matam”, explica o médico.
Segundo ele, pressão alta, distúrbios de colesterol e triglicérides, diabetes, histórico familiar e tabagismo são fatores de risco.
“Trinta por cento da população adulta têm pressão alta. Um terço apresenta distúrbio de colesterol, 8% têm diabetes. Por isso, 57% de todas as mortes do Brasil são decorrentes de problemas circulatórios”, diz.
Na opinião dele, a queda do índice só virá quando a população for conscientizada sobre o problema, não abrir mão dos exercícios físicos e controlar colesterol através de “check-up” freqüentes.
Se não matar, as doenças do aparelho circulatório podem provocar seqüelas e até invalidez.
“O acidente vascular cerebral (derrame) tem muito impacto social. Quando a pessoa não morre, as seqüelas são para o resto da vida”, alerta o cardiologista Caio Mário de Almeida Pessoa.
Devido à seriedade do problema, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) mantém um programa de hipertensão e diabetes, que acompanha o tratamento do paciente com problema cardiovascular.
De acordo com a diretora do Departamento de Planejamento, Avaliação e Controle da SMS, Heloisa Ferrari, quando o paciente procura a unidade básica de saúde e o problema é diagnosticado através de exames, ele é encaminhado ao Ambulatório de Especialistas da Diretoria Regional de Saúde (DIR) ou ao Hospital Estadual para receber tratamento específico.
Mesmo assim, segundo ela, uma equipe multidisciplinar continua observando o tratamento do paciente.
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Light
O infarto mudou a vida do artista plástico Percy Coppieters. Quatro meses após o susto, ele passa atualmente por um período de “imersão de sentimentos” e já adotou como premissa botar para fora o que pensa ou sente.
“Mudou a maneira de eu ver a vida, afinal, foram quatro episódios só recentemente. Ainda estou trabalhando com as mudanças”, diz. Ele sofreu quatro acidentes cardiovasculares e um infarto. Um dia antes do último ataque cardíaco, ele havia deixado de fumar, hábito que não foi retomado.
“Consegui substituir um falso prazer (de fumar) por um prazer verdadeiro. A conquista do parar de fumar também é muito legal”, conta Percy, que também adotou uma alimentação menos rica em gordura.
Os mesmos cuidados foram incorporados por um outro infartado, que preferiu ter o nome preservado. Ele deixou o cigarro, equilibrou a alimentação e substituiu os exercícios localizados por caminhadas.
Curiosamente, ele infartou quando fazia uma atividade física. “A relação com a vida melhorou muito, passei a dar mais valor a ela e a observar mais as pessoas”, esclarece.
Para ele, assim como para Percy, a principal lição tirada do episódio é tentar evitar o estresse e enxergar a vida de uma maneira mais light. “Não vale a pena ser um rolo compressor”, conclui.
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