09 de julho de 2026
Polícia

Casal cai em golpe do recadastramento

Ronaldo Schiavone
| Tempo de leitura: 2 min

Quase cinco meses após ser vítima de um estelionato, um casal de Bauru continua sofrendo as conseqüências do golpe. O cartão do Banco do Brasil que pertencia a eles, roubado no final de abril, foi utilizado para a retirada de um talão de cheques naquela época, mas três das folhas foram depositadas apenas anteontem, num total de R$ 56 mil, e só não foram descontadas porque estavam sustadas.

Uma das vítimas, A.M.C., 62 anos, cujo nome foi preservado para evitar constragimento, conta que os problemas do casal começaram quando uma pessoa foi até a casa deles e se apresentou como funcionário do banco. “Ele disse que era recadastrador. Era um senhor de idade, com cerca de 60 a 65 anos. Meu marido, na boa fé, achou que poderia se cadastrar em casa e entregou o cartão e a senha, que ele sempre deixa junto, na mão dele”, relembra.

Segundo ela, o próximo passo do estelionatário foi pedir um comprovante de residência. “Meu marido entrou para pegá-lo e esse senhor trocou o cartão, pegando o do marido e colocando o de outra pessoa no lugar. Depois, guardou em um envelope do banco e nos entregou”, afirma.

A.M.C. revela que o casal só percebeu que havia caído em um golpe quase três semanas depois. “Quando fomos receber o pagamento, no dia 15 de maio, e abrimos o envelope, encontramos o outro cartão. Também ficamos sabendo que ele sacou um talão de cheques”, diz.

Ela diz que, desde então, seis das 20 folhas de cheque já foram utilizadas. “Ele solta três de cada vez e são todos valores altos. O menor foi de R$ 1,4 mil e teve até um de R$ 38 mil. O rapaz do banco me disse que ele acredita que isso só vai parar quando as folhas acabarem”, conta.

Além dos cheques, o golpista também utilizou o cartão roubado para saques em dinheiro. “Ele retirou todo o pagamento do meu marido e o limite da conta, o que deu uns R$ 2,5 mil. Pegou tudo o que estava disponível”, afirma. A.M.C. conta que foi ressarcida pelo banco, mas teve de pagar uma taxa de seguro para a conta.

Alerta

O titular da Delegacia de Investigações Gerais/ Grupo Armado de Repressão a Roubos e Assaltos (DIG/Garra), delegado J.J. Cardia, alerta as pessoas para que não aceitem fazer qualquer tipo de recadastramento bancário em casa. “Elas têm de comparecer à agência quando for necessário”, diz.

Ele lembra que outros golpes têm sido aplicados por estelionatários que se apresentam como funcionários de empresas. “Há pessoas oferecendo serviços para baixar a conta de luz e cobram uma taxa para isso. Na realidade, é um estelionato, porque quem trabalha na CPFL (Companhia Paulista de Força e Luz) se apresenta com identificação e o serviço nunca é cobrado na hora, e sim na conta”, declara.