10 de julho de 2026
Economia & Negócios

Agências bancárias param por salários

Gabriel Garcia
| Tempo de leitura: 3 min

Quatro agências da Caixa Econômica Federal (CEF) em Bauru paralisaram o atendimento ao público durante todo o dia de ontem. Apenas a agência Nações Unidas permaneceu aberta. Até o meio dia, agências do Bradesco, Itaú, ABN-Real, Nossa Caixa, Unibanco, Sudameris e BBV em vários pontos da cidade também não abriram as portas.

A paralisação faz parte da campanha nacional dos bancários por reajuste salarial e melhores condições de trabalho - ontem foi o chamado Dia Nacional de Luta da categoria. Os trabalhadores reivindicam 21,58% de reajuste, referente à inflação acumulada no período, mais resíduo inflacionário e produtividade (que corresponde a 3,99%).

A Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) oferece reajuste de 10%. A próxima rodada de negociações entre sindicatos e banqueiros está marcada para o próximo dia 17. De acordo com o diretor do Sindicato dos Bancários de Bauru Admílson Canuto, está programada uma nova paralisação durante a próxima quinta-feira, possivelmente com a adesão dos funcionários do Banco do Brasil (BB).

De acordo com Canuto, o objetivo inicial da Executiva Nacional dos Bancários era parar todos os bancos ontem, mas houve pouco tempo para mobilizar os diretórios sindicais. “Os sindicatos sabem o tamanho de suas pernas, e escolheram a melhor maneira de fazer (a paralisação)”, disse.

Segundo o sindicalista, houve distribuição de panfletos nas ruas para avisar a população da paralisação do atendimento. O que não foi suficiente para evitar um grande número de clientes procurando informações sobre o que estava acontecendo na agência Central da CEF, além de pessoas de municípios próximos, como Iacanga e Arealva, que encontraram as portas fechadas - eles foram orientados a procurar a agência Nações Unidas.

Nas unidades paralisadas, apenas o auto-atendimento continuou normal. “Vim ver um negócio do meu FGTS, mas é só lá dentro. Vou ter de voltar amanhã”, disse o auxiliar de produção Reginaldo Muniz dos Santos. Uma funcionária da prefeitura, que não quis se identificar, contou que havia saido mais cedo do trabalho para ir até o banco. “Amanhã (hoje), minha chefe não vai deixar eu sair”, lamentou.

Filas

Segundo Canuto, que também é funcionário da CEF, além do reajuste salarial, o banco está trabalhando com menos funcionários do que o necessário, o que caba comprometendo o atendimento ao público e mesmo a saúde dos bancários. “A Caixa diminuiu o número de funcionários nos últimos dez anos de 75 mil para 54 mil”, afirmou.

Na opinião dele, uma unidade do porte da agência Central da CEF precisaria de, no mínimo, 80 funcionários - hoje tem menos de 50. “Nos dias de pico as pessoas ficam aqui na fila durante uma hora, até mais, para serem atendidas”, declarou.

Um funcionário da CEF, que não quis ter seu nome divulgado, afirmou que, para evitar filas, a orientação do banco é “fazer apenas o que o cliente pede”. Para o bancário, isso prejudica o trabalhador que tem várias contas ainda não encerradas, e acaba não sendo informado que tem dinheiro disponível a ser retirado.

Segundo Canuto, a mobilização de ontem já teria provocado um boato de que a diração da CEF daria adiantamento salarial aos funcionários. “O que nós precisamos fazer para resolver de vez essa situação é uma paralisação de Norte a Sul do País, de todas as agências da CEF e do BB”, disse.

De acordo com a assessoria de imprensa da CEF em Bauru, a paralisação de ontem é um assunto “estratégico” cuja resolução caberia à matriz em Brasília. Em nota, a CEF diz que, em breve, vai apresentar proposta visando ao aocrdo entre as partes. “A greve faz parte de todo esse processo democrático”, salienta o informe.

Correios

Nenhum funcionário das agências da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) em Bauru aderiu à proposta de greve da categoria, segundo a assessoria de imprensa. No Interior, apenas em Campinas e Ribeirão Preto parte dos funcionários pararam. Os trabalhadores dos Correios pedem reposição salarial de 69%, que seria referente a perdas desde 1994, além de contratação de mais funcionários.