08 de julho de 2026
Auto Mercado

Suspensão em ordem é segurança

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 3 min

Maior conforto e segurança ao rodar. Estes são os principais benefícios para os que se preocupam em manter a suspensão dos veículos funcionando de forma eficiente. Mas como conseguir isto? Segundo Edson Silva, instrutor da unidade bauruense do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), o primeiro passo é entender que o componente não é sinônimo apenas de molas e amortecedores.

Silva ressalta que a suspensão não se limita apenas a estas peças. “O sistema é composto por articulações, como buchas e braços (também conhecidos por bandejas), e terminais. Também estão atrelados a ele a direção e os freios”, explica. Por essa razão, acrescenta o instrutor, problemas originários em apenas uma peça podem se irradiar para todas as outras integrantes, dependentes ou apoiadas na suspensão.

Ele exemplifica que um amortecedor ruim, além de não absorver os impactos oriundos do piso e transmiti-los à carroceria do veículo e seus ocupantes, aumenta a distância e o tempo das frenagens e provoca desgaste irregular dos pneus. “Estes vão sendo consumidos em pontos localizados devido à perda constante de contato com o solo”, justifica Silva.

O instrutor mecânico considera que, normalmente, os itens mais afetados em uma suspensão pelo uso constante do veículo são os amortecedores e molas. “Mas não há como afirmar uma quilometragem média de duração dos componentes, pois tudo irá depender do modo de utilização do automóvel”, destaca.

Ainda em relação aos amortecedores, ele esclarece que uma checagem visual pode identificar vazamentos ou pontos quebrados. Entretanto, complementa o instrutor, somente a aplicação de testes em uma máquina sofisticada e cara poderia diagnosticar a real eficiência do equipamento. “Ela simula várias situações movendo as quatro rodas”, detalha.

Silva enfatiza que tal “engenhoca” é a mesma utilizada nos órgãos credenciados do País para realizar inspeções veiculares. “Daí a importância deste assunto, discutido já há vários anos, sair de uma vez do papel e ser posto em prática”, salienta o instrutor.

Mas enquanto tais análises automotivas não saem, o jeito é arrumar uma forma “caseira” para saber se o amortecedor ainda tem “lenha para queimar”: trata-se do propalado exame no capô. Basta balançar a dianteira sob os amortecedores e, se ela oscilar mais de uma vez, o acessório pode estar no fim de sua vida útil. “Mas é um teste que serve apenas de base, pois não é o ideal”, alerta Silva.

Apesar disso, há meios de saber se a suspensão apresenta ou não problemas. Segundo Silva, os ruídos são indícios de que algo está errado. “São os famosos nhec-nhecs”, brinca. Além dos barulhos, o condutor também deve ficar “esperto” com as folgas na direção, embreagem dura e volante com tendência a puxar para o lado. Entretanto, ele faz um alerta. “Nem sempre os componentes avisam de alguma avaria”, diz.

Prevenção

Por essa razão, o instrutor mecânico do Senai orienta que uma das formas de evitar problemas na suspensão é efetuar a chamada geometria de direção. Silva explica que tal procedimento inspeciona praticamente todos os componentes do sistema. “Ele é o item chave para garantir a eficiência do equipamento e deve ser executado periodicamente a cada 15 mil quilômetros”, ensina.

Outra providência importante é manter o automóvel sempre alinhado e balanceado. “É fundamental para evitar desequilíbrios das rodas. Estas podem gerar vibrações que, se transmitidas à carroceria, são capazes de causar trincas na mesma”, adverte o instrutor do Senai.

O rodízio dos pneus também não deve ser esquecido. “Ele deve ser providenciado simultaneamente à execução da geometria de direção”, finaliza Silva.