08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

A infidelidade do nosso testemunho


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Nos últimos anos, assistimos à falência do sistema de Saúde Pública neste país. A saúde de um povo é conseqüência de fatores como educação, cultura e dos investimentos em saneamento básico. Entre os fatores culturais que influenciam na perda de saúde está o uso abusivo de álcool e drogas de qualquer espécie. O que a saúde tem a ver com o título desta mensagem: A Infidelidade do Nosso Testemunho?

Estou decepcionada com o contra-testemunho cristão católico de algumas lideranças. As pessoas estão tão contaminadas com os vícios contraídos do capitalismo selvagem, que não conseguem silenciar o coração e ouvir o que Deus quer de nós neste início de 3º Milênio. Os maus costumes que adquirimos ao longo do tempo estão falando mais alto do que a ética cristã. Nós fomos batizados para sermos testemunhas da Esperança.

“Mas o Espírito Santo descerá sobre vocês, e dEle receberão força para serem minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judéia e Samaria, e até os extremos da terra” (At 1, 8). Estas palavras de Jesus não foram ditas apenas para os discípulos que, embevecidos, assistiam à sua subida para o céu, a ponto de os anjos serem obrigados a despertá-los: “Homens da Galiléia, por que vocês estão aí parados, olhando para o céu ?”. Como os discípulos, nós também estamos sendo “chamados” – “vocacionados” - a deixar de olhar para o alto e a descer para a planície, por que é ali, no meio dos homens e mulheres de hoje, que devemos testemunhar Jesus Cristo. É ali que, sobretudo, nós leigos e leigas estamos colocados como sal, luz e fermento para transformar a dura realidade de exclusão de uma multidão de tantos irmãos que passam fome, de tantos meninos que se tornam bandidos antes mesmo de se tornarem adultos, dos sem teto, dos sem terra, dos sem emprego, dos sem esperança... Acredito que se Jesus vivesse hoje, mais do que nunca ele nos indicaria o caminho da caridade, do amor aos jovens, da ênfase na educação, da partilha dos dons e do ardor apostólico, até à temeridade, quando se trata de salvar a juventude. E salva-la das drogas e das bebidas, do mau uso do corpo (com as noitadas no lugar do esporte sadio).

Jesus expulsaria TODOS OS CRISTÃOS VENDEDORES DE BEBIDA ALCOOLICA NAS FESTAS DE SUA IGREJA. O Milagre das Bodas de Caná foi para celebrar a vida e não para comercializar a morte anunciada. Nas empresas, hoje é moda o termo “Responsabilidade Social”, entre os cristãos católicos, deveria virar moda também a coerência com o Evangelho de Jesus e com a doutrina social da igreja; deveríamos aprender a captar recursos para as nossas obras sociais, de forma mais inteligente e mais sóbria. Estou muito triste. Não gosto quando criticam abusos de outras denominações religiosas, e nós, dentro da nossa igreja somos obrigados a conviver com atitudes insanas. Tenho certeza que Frederico Ozanan e São Vicente de Paulo devem estar com vergonha, pelo que aconteceu em Arealva no último final de semana. (Rosa Maria Morceli - RG 6.365.049, integrante da equipe do Mutirão para Superação da Miséria e da Fome na diocese de Bauru)