08 de julho de 2026
Cultura

Templos da música

Da Redação
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Os conservatórios musicais, considerados verdadeiros templos de aprendizagem da arte erudita nos séculos passados, ainda permanecem na lista dos estabelecimentos mais procurados por aqueles que desejam se tornar grandes instrumentistas, apesar da demanda de alunos não ser tão grande como nas décadas de 60 e 70.

Em Bauru, três instituições se destacam: o Conservatório Pio XXII, da Universidade do Sagrado Coração (USC) e fundado há mais de 75 anos; o Oscar Mendes, criado na década de 50; e o Conservatório Bauruense de Música, existente há dezoito anos na cidade.

Tendo como objetivo formar músicos, essas instituições oferecem aulas de canto e de diversos instrumentos. Entre eles, piano, violão, violino, flauta, órgão, teclado, gaita contrabaixo, guitarra, bateria, saxofone, clarinete.

“As pessoas pensam que os conservatório só oferecem aulas de instrumentos clássicos, mas também existem os cursos livres de música”, aponta Alfredo Luiz Gonçalves, que dirige o Conservatório Bauruense de Música. Para Oscar Mendes Neto, coordenador do “Oscar Mendes”, os conservatórios “são as molas mestras no campo da música”.

Os três conservatórios da cidade trabalham em duas vertentes. A primeira é através de cursos livres, que aborda o aprendizado completo de qualquer instrumento, mas não dá direito ao reconhecimento oficial pelo Ministério de Educação (MEC). A segunda atua em caráter de qualificação e garante a aquisição do diploma, mas para isso o conservatório precisa ser filiado à Delegacia Municipal de Ensino da cidade em que foi fundado.

O Pio XXII e o Bauruense de Música - que é uma extensão do Conservatório Jauense e por isso ligado à Delegacia de Ensino de Jaú - oferecem certificado em nível profissional, mas somente para os cursos de piano e violão. As aulas se dividem em técnicas e teóricas, e nas três instituições musicais da cidade, as atividades práticas são desenvolvidas de forma individual e ministradas por um professor habilitado em música.

Fundado na década de 20, o Pio XXII é o conservatório mais antigo de Bauru. Coordenado pelo músico e professor João Fernando Paluan, ele possui, atualmente, cerca de 55 alunos cursando aulas de quase 15 instrumentos diferentes. Segundo Paluan, a faixa etária é diversificada. “Temos desde crianças até pessoas da terceira idade. Mas, geralmente, os cursos de qualificação, são mais procurados por adolescentes”, conta.

Paluan ressalta que além do ensino da música em nível profissionalizante, outro objetivo do Pio XXII é preparar os alunos para o ingresso em uma universidade. “Esperamos que o conservatório seja o canal de transposição para a faculdade de música”, diz.

Para o professor, o aumento das faculdades de música - em Bauru existe apenas um curso oferecido pela USC - incentiva a procura por aulas nos conservatórios. “Os estudantes têm que passar por uma prova de habilidades para entrar em qualquer faculdade de música”, aponta Paluan.

O Conservatório “Oscar Mendes”, que leva o mesmo nome do seu fundador. Implantado em 1949, o estabelecimento musical era comandado pela família Mendes. Após a morte dos pais, Oscar Mendes Neto, que é professor de piano, teclado e órgão, assumiu a coordenação.

Embora não seja filiada à Delegacia de Ensino de Bauru - que, após a Lei de Diretrizes e Bases do Governo lançada em 1973, proibiu a emissão de certificado em nível superior pelos conservatórios não filiados à entidade - o “Oscar Medes” oferece cursos livres que priorizam a qualidade técnica das aulas. Atualmente, a instituição reúne aproximadamente 50 estudantes.

Neto destaca que o principal objetivo do conservatório é o mesmo: preparar os estudantes para o nível superior. Segundo o coordenador, a diferença dos conservatórios para as escolas de música consiste principalmente nisso. “Preparamos os alunos para o vestibular. A escola geralmente não tem essa disciplina”, afirma.

O coordenador conta que outro enfoque da instituição é incentivar o aprendizado de diversos instrumentos, e não se concentrar em apenas um. “Buscamos estimular a sensibilidade dos alunos para passar para outro instrumento. A diversificação é constante”, diz.

Existente há dezoito anos, o Conservatório Bauruense de Música é dirigido pelo professor Gonçalves. Apesar de ser o mais novo na cidade, o estabelecimento conta com cerca de 50 alunos e sete professores com curso superior em música. As aulas são semanais e individuais.

“O curso técnico tem uma grade especial e os alunos têm aulas de dois a três dias de semana, mas o programa básico também tem aulas semanais e complementares”, explica Gonçalves. Para ele, a importância de um conservatório está no próprio nome. “Ele preserva as obras dos grandes autores, como Villa-Lobos e Chopin, mas o aluno também pode escolher trabalhar com cantores da música popular”, diz.

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