09 de julho de 2026
Cultura

Roqueiros fazem conservatório

Da Redação
| Tempo de leitura: 4 min

Apesar de serem conhecidos por ensinar aos seus alunos clássicos de Mozart e Beethoven, há várias décadas, os conservatórios se dedicam a passar aos seus estudantes, conceitos teóricos e práticos da música moderna. A pianista e regente, Sônia Berriel, revela que na época que estudou no Conservatório Pio XXII, - há mais de 40 anos - o programa contava apenas com o ensino da arte erudita. “Fiz aulas de teoria, harmonia e técnica de piano. Não havia música popular, só a erudita”, lembra.

Segundo Paluan, entre as aulas mais procuradas pelos jovens músicos se destacam as de guitarra, bateria e contrabaixo. Outra técnica que atrai diversos alunos é o ensino do canto, além, é claro, dos instrumentos tradicionais, como piano e violão. “Hoje as pessoas têm a consciência de que para cantar num grupo, precisam trabalhar a voz, independente do grupo que ela cante. Além disso, o mercado de trabalho está muito concorrido do que há 20 anos”, analisa.

O ambiente dos conservatórios é marcado pela diversidade dos alunos. E comum perceber integrantes de bandas de rock que querem se aprimorar, dividindo o mesmo espaço com cantores evangélicos e aspirantes a se tornarem grandes pianistas. E o caso do adolescente Marcelo Spozito, de 13 anos, que faz aulas de bateria no mesmo horário que Fátima Cristina de Oliveira, 37 anos, aluna do curso de piano do conservatório “Oscar Mendes”.

Oliveira conta que seu objetivo é desenvolver a prática do instrumento. “Eu já fazia aulas particulares, mas como trabalho com o grupo musical da minha igreja, acho que preciso me aprimorar”, diz. A idade dos estudantes também costuma variar, e muitas instituições chegam a reunir crianças de 5 a 7 anos e pessoas da terceira idade.

Um exemplo é o Vino Pereira, 53 anos, que se diz aplicado no curso de teclado. “Sempre gostei de tocar, mas tirava música de ouvido. Agora, sim, estou fazendo o certo”, enfatiza.

Procura

Mas apesar de continuar sendo procurado por muitos, os coordenadores dos conservatórios da cidade revelam que a procura pelos cursos diminuiu um pouco, em relação aos anos anteriores. Gonçalves aponta a atual crise econômica como uma das principais responsáveis. “A demanda é um pouco menor porque devido a crise, as pessoas tenham que priorizar os cursos, e muitas vezes, podem optar pelas aulas de línguas ou informática ao invés da música”, diz.

Paluan também credita ao atual cenário brasileiro a diminuição de alunos nos conservatórios, mas ressalta que apesar dos problemas, as instituições musicais conseguem manter uma boa qualidade de ensino. “Cultura e educação devem andar juntos. Além da excelência das escolas de ensino, priorizamos a formação integral do indivíduo”, detalha o professor.

De acordo com Paluan, são necessários no mínimo três anos de estudo para se ensinar os conceitos técnicos. Ele conta que cerca de seis alunos se formam anualmente no Pio XXII. No “Oscar Mendes” e no Bauruense de Música, a média anual fica entre três e quatro músicos.

____________________

"Eu fiz"

A rigidez do programa de ensino, que inclui o estudo teórico e prático de um instrumento, acompanhado de matérias complementares, é uma das principais vantagens citadas por ex-alunos de conservatórios. E o caso de Sônia Berriel, que passou mais de dez anos de sua vida no Pio XXII.

“Comecei a estudar piano bem nova, com 15 anos. “A minha referência sobre estudar em um conservatório é excelente porque as pessoas têm um programa para cumprir todos os anos. Além disso, todos exames são analisados por uma banca”, observa Berriel.

Na opinião da pianista, o ensino da música erudita é um importante referencial das instituições. “Se não fosse por esse trabalho, os clássicos seriam menos tocados hoje em dia. Então eu considero os conservatórios como grandes escolas”, aponta Berriel, que atualmente, coordena dois corais na cidade.

O ensino da arte erudita também é apontada pelo jovem pianista Renan Floresti Bragatto como um dos fatores que mais o encantou no Conservatório Bauruense de Música, onde estudou por quase onze anos. “Adoro música clássica. Principalmente os compositores Beethoven, Bach e Schubert”, destaca.

Para Bragatto, que divide o tempo entre o cursinho para prestar vestibular de música e as aulas de piano que ministra em uma escola de São Paulo, o aprendizado no conservatório foi essencial para sua carreira. “A experiência é muito boa, especialmente para meu currículo”, conta.