09 de julho de 2026
Economia & Negócios

Clientela expande com as indicações

Gabriel Garcia
| Tempo de leitura: 4 min

Sem propaganda, o trabalho dos prestadores de serviços gerais vai se expandindo no boca-a-boca. Recebe pontos quem entrega o trabalho em dia, cobra menos do que a média do mercado, não recusa pedidos e, o mais importante, faz um serviço que merece elogios. O cliente que gostou da limpeza na caixa-d’água indica para o vizinho, o primo que fala do gramado bem cortado a um preço módico e daí por diante.

O jardineiro Genésio Quintilhano, 42 anos, afirma que sua maior propaganda são os comentários dos clientes. Segundo ele - que também faz serviço de pedreiro, entre outros - afirma que não falta trabalho. “Trabalho toda a semana e, às vezes, até no final de semana”, diz. E confirma: “Além dos clientes fixos, eu tenho aqueles que o pessoal vai me indicando. Vou agendando e vou fazendo.”

O telefone do “faz-tudo” Adelino Caldador Mansano, 40 anos, também não pára de tocar. Às vezes, são pessoas que ele nem conhece, indicadas por clientes fiéis. “A pessoa liga e fala: ‘foi fulano que indicou’. Eu tenho minha clientela fixa, mas sempre aparecem muitos clientes que ficaram sabendo do meu serviço”, afirma.

A mesma “fidelidade” dos clientes é apontada pela costureira Maria Perpétua de Oliveira, 54 anos, conhecida como Peti. Há 20 anos ela trabalha com costura. Começou como contratada de lojas de confecção e fábricas de roupas, mas hoje tem uma mini-oficina em casa e divide o tempo com um emprego fixo três dias por semana em uma loja.

Peti afirma que sua clientela é formada por clientes de muitos anos e por gente que ouviu falar dela através do boca-a-boca. “A clientela, hoje em dia, depende muito da confiança”, afirma. Ela conta que em épocas de mudança de estação a procura aumenta ainda mais. “Eu tenho uma cliente que, quando chega época de inverno, me leva na casa dela, abre os armários e pede para eu ajustar as roupas”, declara.

Para Peti, trabalho de segunda-feira a segunda-feira é o que não falta. De acordo com ela, em dias de bastante movimento é possível tirar até R$ 60,00, resultado que é atribuído a preços camaradas e às dificuldades econômicas da maioria das famílias, que pensam duas vezes antes de comprar uma roupa nova.

“Mesmo as pessoas de mais posse, que tem roupas de marcas, mais caras, estão procurando dar uma reformadinha, mudar um pouco o corte”, conta a costureira. Ela aponta que mesmo os mais jovens, ligados a grifes, procuram seus serviços para “mudar a cara” das roupas.

Peti considera que sai em vantagem em relação às oficinas de costura e mesmo lavanderias que prestam esse tipo de serviço, justamente pelo preço mais em conta. “Eu cobro um preço mais acessível, mais barato que as oficinas, que têm de pagar aluguel, funcionário, imposto”, afirma.

Diária boa

O jardineiro Quintilhano concorda que o trabalho autônomo é mais rentável. Ele já trabalhou como motorista de ônibus, vigilante e inspetor de segurança, mas não troca o atual trabalho por nenhum dos antigos fixos. Com a ajuda do filho de 19 anos - que o acompanha desde os 12 -, Quintilhano declara que fatura uma média entre R$ 40,00 e R$ 50,00 diários. “Dá para tirar uma diária boa. Dá para sobreviver”, diz.

Para garantir a aposentadoria, Quintilhano contribui como autônomo para o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Além disso, ele recolhe junto à prefeitura R$ 30,00 por ano a título de pagamento do Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISS). E só. “Ganho mais trabalhando assim”, observa.

No caso de Elias Janeiro, que tem uma equipe especializada em todo tipo de serviços gerais, a propaganda “formal” é, no máximo, um cartãozinho. Segundo ele, sua clientela é fixa em áreas nobres da cidade e também na periferia - além da prestação de serviços, Janeiro é presidente da Associação de Moradores do Jardim Petrópolis e da Comissão de Arbitragem da Liga Bauruense de Futebol Amador.

“Eu tenho uma clientela fixa, mas esse pessoal que tem o meu contato indica para amigos”, conta. Para Janeiro, o segredo é executar sempre um serviço bem feito e aprimorar cada vez mais a técnica. “Fiz curso de eletricidade, de hidráulica e estou sempre acompanhando palestras”, diz.

Janeiro também mantém, além dos funcionários, uma minifrota de veículos de apoio - uma “rede” de atendimento para não deixar o cliente esperando com um cano furado ou com o disjuntor que insiste em cair. “Tem que atender o cliente na hora em que ele precisa da gente”, aconselha.

Como toda prestação de serviços, a sazonalidade é que dá o tom dos trabalhos que aparecem - com isso, o faturamento também varia. “Em mês de chuva aparece mais serviço em telhados, calhas. Quando é mês de sol o pessoal quer mexer com piso, do lado de fora”, conta. E finaliza: “Trabalho é o que não falta.”

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Recibo

O prestador de serviço ganha sua “fama” pelos trabalhos bem feitos e geralmente são indicados por pessoas próximas. No entanto, é preciso ficar atento caso a pequena obra em casa ou o ajuste do vestido se tranforme numa dor de cabeça.

O Procon local não tem nenhum registro de queixas contra prestadores de serviços gerais, mas a orientação do órgão de defesa do consumidor é sempre exigir comprovantes, como o recibo do orçamento e do próprio serviço. Sem isso, não há como provar uma possível reclamação.