08 de julho de 2026
Bairros

Ponte do M. Dota depende de equipamento adicional

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

A execução da primeira etapa de recuperação da ponte Ayrton Senna, que liga a região do Mary Dota ao Distrito Industrial e está interditada desde janeiro, depende da utilização de um equipamento adicional de perfuração (martelete pneumático). Devido à resistência da rocha, a empresa que venceu a licitação para instalar as estacas vai precisar empregar ar comprimido.

Por meio de um estudo desenvolvido a partir de sondagens realizadas pela Secretaria Municipal de Obras, a Sondosolo Geotécnica Engenharia pretendia instalar as estacas a uma profundidade média de 15 metros somente através do sistema rotativo, mas o equipamento não está avançando nas perfurações.

A nova técnica não deve encarecer a obra, orçada em R$ 300 mil (a estimativa da primeira etapa é de R$ 127 mil) ou atrasar sua conclusão. A Secretaria de Obras pretende liberar a ponte em pouco mais de 100 dias. A contratação do equipamento ainda pode não resultar num aditivo de contrato.

“A grosso modo, não existe necessidade de aditivo porque, em princípio, o contrato determina a perfuração de 15 metros, independentemente de como será feita. A única possibilidade (da feitura do aditivo) é que seja comprovado um problema imprevisível, que cause desequilíbrio ao contrato original. Estamos estudando”, diz a procuradora e diretora da Procuradoria do Contencioso (litígio) da Secretaria de Negócios Jurídicos da prefeitura, Cláudia Fernanda de Aguiar Pereira.

A elevação no valor da obra também pode não ocorrer porque, de acordo com o secretário municipal de Obras, Antônio Carlos Duarte, a previsão do projeto original era de que a perfuração das estacas atingisse 15 metros, profundidade que talvez não seja necessário chegar.

“A perfuração de 11 a 13 metros talvez baste, mas ainda vamos consultar o projetista. Se (a perfuração) for menor, vai ficar um saldo, que pode cobrir o outro serviço de ar comprimido. Caso não cubra, a diferença será pequena, mas ainda é cedo para estimar valor. A primeira etapa deve ser concluída em um mês”, explica Duarte.

A Sondosolo foi contatada pelo JC, mas devido ao horário, o responsável pela obra não foi localizado. A empresa de Campinas, que venceu a licitação, já instalou as quatro estacas metálicas tipo mega. Das 72 perfurações programadas para a instalação de estacas tipo raiz, duas já foram realizadas e dependem do novo equipamento. Uma chegou a nove metros e outra a oito metros.

Limitação

Ainda segundo o secretário de Obras, a técnica com ar comprimido será necessária porque o local é geometricamente limitado para que seja utilizado um bate-estaca normal.

“Temos problema com altura porque o trabalho é desenvolvido sob a ponte. Problema de tamanho, por causa da distância entre as estacas e a parede de encontro, e problema de largura devido ao aterro. Vamos ter de utilizar a perfuração com martelete pneumático”, conclui.

Ele ainda ressalta que até sábado a prefeitura deve publicar a licitação da segunda etapa da obra, que é a construção de blocos sobre as estacas para a sustentação da ponte. A primeira fase da recuperação da Ayrton Senna teve início há 15 dias.

A divulgação de prazos não anima os antigos usuários da ponte. Conforme o JC publicou, bauruenses como o motorista Carlos Eduardo Ferreira, que mora no Mary Dota, não acredita na conclusão das obras em quatro meses. Ele e outros cerca de 30 mil moradores da região são obrigados a rodar vários quilômetros a mais por causa da interdição da ponte.

A ponte Ayrton Senna foi entregue em setembro de 2000, véspera da eleição que reelegeu Nilson Costa (PTB) para prefeito de Bauru, e custou cerca de R$ 250 mil.