09 de julho de 2026
Economia & Negócios

Cafeicultor quer saída emergencial

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 3 min

Representantes de 103 países produtores e consumidores de café estão participando, desde anteontem, da reunião anual da Organização Internacional do Café (OIC), que terá como principal objetivo definir medidas emergenciais para a crise mundial pela qual passa o setor. No Brasil, em 240 anos de cafeicultura os produtores atravessam o pior momento, com um excesso em torno de 10 milhões de sacas de café no mercado mundial que está derrubando os preços de venda.

De acordo com o presidente do Sindicato Rural de Bauru e vice-presidente da Federação da Agricultura do Estado de São Paulo (Faesp), Maurício Lima Verde - um dos sete representantes brasileiros no encontro -, a reunião, que prossegue até sexta-feira, não terá caráter decisivo. “Serão discutidas propostas dos países representados para que essa crise seja amenizada. Na minha opinião, precisa haver um ordenamento do mercado.”

A reunião da OIC no ano passado não conseguiu resolver o problema do excesso de sacas no mercado. Na ocasião tentava-se implantar a estratégia da retenção, que não funcionou por não ter contado com a adesão dos países presentes à reunião da OIC.

Ordenar

Em 40 anos, esta é a primeira vez que o encontro anual da OIC está sendo realizado na Colômbia, que é o segundo maior produtor mundial de café. Antes a reunião ocorria em Londres, segundo Lima Verde. Para ele, enquanto o mercado não for ao menos ordenado, a situação só tende a se agravar.

“Quando a OIC exercia poder de controle sobre o setor, problemas como esse não ocorriam. Mas agora, os Estados Unidos não permitem que ninguém controle o mercado, e nem que faça acordos paralelos. Por isso, é urgente a necessidade de um ordenamento, e é isso que vamos tentar no encontro.”

Lima Verde destaca que, no Brasil, nunca se viu nada assim. Na safra 2002/2003 foi registrada a maior colheita de toda a história da cafeicultura no País. Contudo, o preço da saca atualmente é o mais baixo de todos os tempos.

De acordo com ele, o preço da saca do café está em torno de US$ 50, quando deveria estar, pela média, custando US$ 90 para a venda. Isso está causando uma grave crise social entre os produtores.

Na opinião do vice-presidente da Faesp, apesar dos conflitos políticos na Colômbia é interessante que se faça a reunião naquele país pelo fato de depender economicamente do café e porque é bom para o governo de lá que a reunião seja bem-sucedida.

“A OIC é um braço da ONU (Organização das Nações Unidas). Ela não determina o preço do café, mas tem um órgão estatístico perfeito, que acompanha a situação do café diariamente no mundo todo. Além disso, é o único fórum de produtos primários existente hoje no mundo, já que o de açúcar e o de cacau acabaram. Então, o mercado está com os olhos voltados a esse encontro, que na minha opinião será revelador.”

Lima Verde observa que o encontro e a própria existência da OIC também consistem numa importante ferramenta para pressionar o governo brasileiro a tomar alguma medida interna pontual. “Precisamos de medidas emergenciais, porque institucionais temos de sobra e não estão resolvendo o problema”, aponta.

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Números

A crise mundial no setor da cafeicultura afeta de maneira contundente diversos Estados brasileiros que dependem basicamente do café. Minas Gerais detém cerca de 60% da produção nacional do produto.

Segundo dados do Sindicato dos Produtores Rurais de Campo Belo (MG), atualmente existem no Brasil 300 mil cafeicultores, 11 milhões de pessoas na atividade cafeeira e 1.850 municípios que dependem do café. Além disso, o setor seria responsável por 8 milhões de empregos no meio rural.