Uma máquina projetada e desenvolvida pelos servidores do Departamento de Água e Esgoto (DAE), que está em operação há sete meses, conseguiu triplicar o leito de captação do rio Batalha e no mínimo dobrar sua profundidade. Através do trabalho realizado pelo equipamento, a diretoria da autarquia espera livrar a cidade do rodízio de água em período de seca.
Ontem à tarde, a presidente do DAE, Nilcéia de Fátima Paes Lourenço, apresentou à imprensa a draga de sucção construída por ela e por sua equipe. Também mostrou os benefícios que o equipamento trouxe ao rio Batalha, responsável pelo abastecimento de 43% de Bauru (cerca de 137 mil pessoas). A máquina foi fabricada para combater o assoreamento, retirando a areia que desce ao longo do rio e vai se acumulando no fundo.
“Se a estiagem desse ano for igual a do ano passado, não teremos problemas. Mas a expectativa é que ela seja menor. Vamos continuar limpando o leito do rio. Temos ainda cerca de um hectare de taboas para retirar”, explica.
Taboa é uma planta que cresce às margens do rio e que também provoca seu assoreamento. Depois que parte delas foi retirada e o trabalho da máquina de sucção foi iniciado, o leito do rio passou de 1,2 metro de profundidade com cerca de 15 metros de largura e 300 metros de extensão para 2,2 metros profundidade com 65 metros de largura e 350 de extensão.
“Mais de uma centena de caminhões de areia foram retirados daqui após a utilização da draga, que teve um custo total de fabricação de R$ 1.700,00”, explica o técnico de administração do DAE, Wilson Dionisio. Ele, junto com outros dez colegas da eletromecânica, passou três meses numa oficina construindo o engenho.
Dionisio diz não ter idéia do valor de mercado da equipamento, mas informa que, no ano passado, quando o DAE foi contratar o serviço para dragar o leito do rio, a empresa que ofereceu o serviço pelo menor preço cobrou R$ 78 mil.
“A partir daí, tivemos a idéia de construir a máquina, baseada numa outra semelhante utilizada num porto de areia. O serviço público, com criatividade e boa vontade, além de dedicação e cooperação, consegue driblar a burocracia. Todos os funcionários do DAE aprendem a ter jogo de cintura. Fico muito feliz porque deu certo. Assumimos o risco de tentar fazer a bomba e não dar certo”, destaca.
Segundo o técnico, com materiais inservíveis, eles conseguiram fazer uma bomba de sucção (centrífuga horizontal), que draga materiais pesados, como lama, areia e pedra. Depois, a colocaram dentro de uma caçamba de basculante, que se transformou numa barcaça (veja texto).
“Primeiramente, tentamos colocá-la numa carreta, mas era difícil operá-la. Também construímos um guindaste manual para içar a mangueira de sucção”, explica o integrante da equipe de eletromecânica do DAE.
Essa mangueira tem oito polegadas de diâmetro e a sua extremidade conta um tubo de sucção.
“Ela capta a água e a sujeira do rio e a elimina para fora (com a mangueira de recalque de cinco polegadas), a uma distância mínima de 50 metros. Uma pessoa só consegue operar a barcaça, que pode se locomover pelo rio”, conclui Dionsio, ressaltando o fato de ter trabalhado com o colega Isaar de Almeida e com a própria presidente do DAE.
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Seca
Em 2002, pelo quarto ano consecutivo, o volume de água do rio Batalha caiu a níveis críticos, resultando no desligamento de bombas de captação e no risco de racionamento. Na primeira quinzena de outubro, a cidade foi submetida a um sistema de rodízio, que durou cerca de uma semana.
Moradores de bairros como o Jardim Joaquim Guilherme e Vila Ipiranga chegaram a depender de caminhão-pipa do DAE para receber água. Regiões altas como o Altos da Cidade, Centro, Vila Universitária, Jardim América e Mary Dota passaram pelo mesmo problema.
Na época, quando Bauru foi castigada por uma estiagem que durou três meses, o DAE confirmou que não tem dinheiro para ampliar, modernizar e reformar a estrutura de abastecimento e saneamento básico da cidade.
Porém, a prefeitura tem até o início de junho do próximo ano para começar a tratar cerca de mil litros de esgoto produzidos a cada segundo no município. Caso a administração municipal não cumpra com o prazo determinado pelo Ministério Público, terá de arcar com multa diária de mil Ufeps (mais de R$ 11 mil).
A administração municipal aguarda aprovação por parte do Senado para o pedido de empréstimo feito junto ao Banco Mundial. Caso a solicitação seja aprovada, o município contará com U$ 30 milhões para tratar o esgoto da cidade.