Iaras – O detento Antônio Evandro Queiroz Gonçalves, da Penitenciária de Iaras (100 quilômetros ao Sul de Bauru), é acusado de ter comandado por um telefone celular o seqüestro de um sobrinho do proprietário da Transportadora Atlas, em São Paulo, cujo nome não foi divulgado. A unidade de Iaras, de segurança máxima, está entre os sete presídios do Estado que possuem bloqueador de celular.
Segundo a polícia, a vítima do seqüestro, um rapaz de 29 anos, teve três dedos da mão esquerda cortados pelos seqüestradores. Ele ficou quase uma semana no cativeiro e foi liberado anteontem, ao lado do Shopping Central Plaza, na divisa entre a Capital e Santo André, depois que os policiais descobriram a identidade do mentor do seqüestro.
Na quarta-feira passada, dia em que a vítima foi levada pelos seqüestradores quando saía da empresa, a família do rapaz começou a receber telefonemas, que exigiam um valor para o resgate, não divulgado pela polícia.
Para a surpresa dos investigadores, eles descobriram que as ligações partiam da Penitenciária de Iaras e que eram feitas pelo acusado, preso há sete anos, condenado por homicídio. “Rastreamos as ligações e chegamos a quem comandou todo o seqüestro”, disse o delegado Antônio de Olim, da Divisão Anti-Seqüestro (DAS).
Gonçalves foi descoberto e encaminhado para a sede da DAS, em São Paulo, onde teria confessado o crime.
Na noite de anteontem, os investigadores da DAS chegaram até as mulheres dos seqüestradores e a um dos comparsas de Gonçalves, na favela Funerária, próximo à empresa, em São Paulo.
Com a prisão deles, os seqüestradores decidiram liberar a vítima, ao lado do shopping. O delegado foi até o local onde o rapaz havia sido liberado e o levou até o pronto-socorro. A mão esquerda da vítima estava infeccionada pelos cortes. O rapaz, muito debilitado.
A polícia procurava até ontem os dois comparsas de Gonçalves, responsáveis diretos pelo seqüestro, identificados como Sérgio e Izaias dos Santos.
Segundo a polícia, o rapaz teria sido seqüestrado, porque teria se identificado, em algumas ocasiões, como o dono da empresa de transportes.
Bloqueador
A Penitenciária de Iaras é uma das sete unidades prisionais do Estado que possuem bloqueador de celular. O equipamento foi instalado em novembro de 2002. Em nota divulgada pela assessoria de imprensa ontem à tarde, a Secretaria da Administração Penitenciária afirmou que apenas o aparelho do presídio de Presidente Bernardes tem funcionado com 100% de eficácia.
Nas demais unidades, entre elas Iaras e Marília, a assessoria alega que foram detectadas falhas e as providências estariam sendo tomadas junto às empresas que instalaram os equipamentos. A assessoria afirma ainda que as empresas são portadoras de certificado expedido pela Anatel, que as habilitariam a disputar a concorrência pública.
A reportagem tentou entrar em contato com o diretor do presídio de Iaras, Roberto Medina, mas foi informada de que somente a assessoria de imprensa da secretaria poderia se pronunciar sobre o assunto.
Segundo a assessoria, o mentor do seqüestro deve ser transferido para outro presídio do Estado.
A secretaria deve aguardar o resultado do inquérito instaurado pela polícia para abrir um procedimento investigativo dentro do presídio. “Tudo depende do que for apurado pela polícia”, afirma.