07 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Discernir é preciso


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Hoje, às 9h, tem início a sessão que pede a cassação do mandato do prefeito Nilson Costa.

Como professor durante 42 anos e como vereador desta cidade por seis anos (1983 a 1989) e mais dois anos na Assessoria de Cerimonial, totalizando oito anos de Câmara Municipal, sei que cometi equívocos em certas decisões, quando no exercício dessas funções. Errei, não nego e por ter errado é que não posso furtar-me ao direito de solicitar aos senhores vereadores, entre os quais alguns ex-colegas de mandato e outros, ex-alunos, uma profunda reflexão ao dar o seu voto nesta tão importante sessão para o futuro de nossa cidade.

Neste momento, em que a cidade toda terá a sua atenção voltada para a Câmara, discernir é preciso. Em português, discernir vem do latim “discernere” e significa definir as coisas nos seus próprios limites, examinar a fundo, interpretar adequadamente. Discernir comporta um exercício de análise crítica, uma justa avaliação e um agir correto.

Discernir nem sempre é tarefa fácil. Discernimento, quando bem feito, proporciona alegria e paz ao coração. Onde não há discernimento, a confusão toma conta. Todo julgamento exige discernimento, visando ao bem comunitário e não apenas aos interesses pessoais e políticos.

Deve-se ainda, usar de discernimento ao proferir a defesa ou a acusação de alguém, pois, na vida, dentre as coisas que não se recuperam, uma delas é a palavra depois de proferida. Nós, simples mortais, costumamos fazer da palavra arte ou agressão, ternura ou injúria, poesia ou acidez. Cuidado, portanto, quando do uso da tribuna, com a palavra insana, pois ela pode condenar os inocentes, promover os incompetentes, disseminar a discórdia, semear o ódio.

Todos nós, humanos, somos passíveis de erros. Devemos acautelar-nos ao nos fazer de fiscal de nossos semelhantes. Mesmo no caso de estarmos isentos de culpa, não nos cabe o direito de julgar. Incrível. Facilmente nós nos esquecemos de que com a mesma medida com que julgamos, seremos julgados um dia. Muitas vezes, vemos o cisco no olho do próximo e não vemos a trave no nosso.

Blaise Pascal, em sua obra “Pensamentos”, diz: “Há duas classes de homens: os maus que se julgam justos, e os justos que se julgam maus”. Todos, os bons e o maus, se não se conscientizarem do que realmente são, serão, um dia, cobrados pelas suas decisões. Senhores vereadores, antes de julgarem, pensem: “Atire a primeira pedra!”.

Professor Gino Crês - RG. 3.575.799