08 de julho de 2026
Cultura

Só hoje

Gustavo Cândido
| Tempo de leitura: 4 min

O Jota Quest é um dos raros casos na música de grupos que conseguiram estrear a carreira com um disco de sucesso (“J. Quest”, de 1997) e mantiveram o nível nos trabalhos seguintes. O quinteto mineiro se apresenta hoje na Cervejaria dos Monges fazendo uma retrospectiva de sua carreira de nove anos em um show da turnê do seu mais recente trabalho, “Jota Quest MTV Ao Vivo”, da Sony, lançado em julho deste ano.

O disco, gravado em dois shows realizados em maio em Belo Horizonte, reúne 17 canções definidas pelo guitarrista do grupo, Marco Túlio, como “novas, conhecidas e desconhecidas que o Jota tem prazer de estar apresentando ao público”.

Entre elas estão hits absolutos do grupo formado por - além de Marco - Rogério Flausino (vocal), PJ (baixo), Paulinho Fonseca (bateria) e Márcio Buzelin (teclado), como “As Dores do Mundo”, “Encontrar Alguém”, “Fácil”, “Só Hoje”, “Na Moral” e “O Vento”, pinçadas dos quatro álbuns anteriores.

Com mais três músicas novas, o CD (e, conseqüentemente, o show de hoje) formou uma trilha-sonora perfeita tanto para quem gosta de baladas como para os que curtem um som mais dançante.

Em entrevista exclusiva ao JC, o guitarrista da banda fala sobre a concepção do disco e do show e afirma: “o mais importante no palco é a vibração, o calor do público”. A seguir, os melhores trechos.

Jornal da Cidade - Como surgiu a idéia de gravar o disco ao vivo? Marco Túlio - Recebemos um convite da MTV no ano passado para fazer um projeto na emissora, podia ser acústico, ao vivo. Naquele momento não pensamos em fazer um acústico, estávamos a fim de registrar um show, tínhamos acabado de lançar o “Discotecagem...” e o disco estava numa ascendência boa. Então resolvemos trabalhá-lo por um ano e depois registrar o show, o que é totalmente coerente com a história do Jota, que é uma banda que tem o seu ponto forte quando toca ao vivo.

JC - O show era parte da turnê que vocês estavam fazendo? Marco - É, o show foi um flagrante do que a gente já vinha fazendo. Um registro instantâneo, não foi aquele show produzido para o especial da televisão. Obviamente que quando escolhemos as datas, entramos no estúdio, ensaiamos, incluímos músicas novas, passamos o pente fino sem tirar a naturalidade, sem alterar os arranjos que a gente vinha fazendo. O disco é um registro do que o Jota vem aprimorando desde o começo há nove anos.

JC - Como foi a escolha do repertório? Marco - Procuramos unir as músicas que tinham feito sucesso com as gravações novas e outras que não tocaram mas que mereciam uma segunda chance de modo que ficasse equilibrado. Pensamos, vamos registrar aquilo que é mais relevante, o que queremos plantar para o futuro. 80% do que a gente tocou no CD a gente já vinha fazendo nos shows.

JC - Vocês saíram de uma turnê que gerou um disco e começaram outra quase na seqüência com o novo trabalho. Como o Jota fez para diferenciar os shows? Marco - A partir do momento que nós gravamos o “Ao Vivo” começamos a maturar o que seria o novo show, apresentando uma ou outra música nova e guardando outras também para que as turnês não ficassem iguais. Vamos rodar quase dois anos com essa turnê.

JC - Quais são as músicas novas? Marco - O show tem três músicas novas: “Amor Maior”, que já está tocando bem; “Do Seu Lado”, que é uma música que o Nando Reis mandou pra gente; e “Por Mim e Por Você”, que é uma parceria nossa com o rapper paulista Thaíde. É a segunda vez que gravamos o Nando. Já gravamos “A Minha Gratidão é uma Pessoa”. A gente é muito fã do Nando é sempre um prazer, ele é sempre uma parceria bem-vinda. Todas as outras músicas do show são nossas.

JC - Como deixar um disco que reúne fases tão diferentes equilibrado? Marco - O grande mérito de um disco ao vivo é poder dar uma unidade aos diferentes momentos da banda. O Jota Quest de black music? Não. É uma banda de rock ‘n’ roll? Não. É uma banda que flerta com tudo isso, o que é natural. Por nós termos começado com um disco mais calcado do funk, brincando mais com isso, a gente tenha indicado um caminho ao qual a gente acabou não sendo fiel ao longo da carreira. Mas eu acho que tudo que está no disco (e no show) é um pouco do Jota: balada, funk, rock, soul. O Jota é tudo isso, a diferença entre os seus integrantes que acaba convergindo e dando essa identidade à banda. A unidade era uma preocupação nossa e conseguimos fazer isso no disco sem ficarmos preso a formatos, por isso podemos tocar uma música do Nando, uma balada, fazer uma canção com o Thaíde... São elementos diferentes mas todos eles fazem parte do Jota Quest.

• Serviço

Show do Jota Quest. Hoje, às 23h, na Cervejaria dos Monges, que promove a apresentação ao lado da Pharmácia A Medicinal. Apoio: 96FM, Jornal da Cidade, Snipers, FIB e Saint Paul Residence. Avenida Getúlio Vargas, 7-50. Informações: (14) 234-7773.